O espetáculo SAMBA MÍNIMO se baseia na pesquisa de Juliana Amaral que tem como mote o samba tomado como um conjunto de conteúdos musicais e literários capaz de traduzir inquietações e tensões estéticas e artísticas profundas e amplas. Diferentemente de grande parte dos intérpretes que recentemente têm se debruçado sobre o repertório do samba, o espetáculo não se estrutura como uma sucessão de canções, mas como uma unidade poética, que integra música, palavra e gesto para descrever um movimento com intensidade no tempo.
Sem uma estrutura narrativa explícita, o espetáculo aborda questões do mundo urbano e contemporâneo – amor, desamor, solidão, violência, delicadeza, alegria, tristeza, presença, abandono – tratadas de diferentes modos, ora com doçura, ora com bruteza, mas sempre com a naturalidade característica do samba.
Os figurinos, cenário e iluminação reduzidos ao essencial criam um ambiente que proporciona à platéia aproximar-se da performance de modo singelo e imediato. No mesmo sentido, a formação diminuta (apenas violão e percussões) e os arranjos nada rebuscados buscam explorar nuances e dinâmicas variadas, contando para isso com a sensibilidade dos músicos, criadores de paisagens sonoras muito ricas, ora delicadíssimas, ora explosivas, mas sempre muito intensas. A direção de arte do espetáculo é assinada por Humberto Pio Guimarães.
O repertório minuciosamente escolhido combina regravações de sambas de compositores consagrados de diferentes gerações e universos musicais (Wilson Baptista, Noca da Portela, Tom Zé, Itamar Assumpção, Moraes Moreira, Fred Zero Quatro) com inéditos de contemporâneos de Juliana Amaral (Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Rubens Nogueira, Heron Coelho, Francis Hime, Gianfrancesco Guarnieri, Douglas Germano, Maurício Pereira, Lincoln Antonio). Em alguns momentos, os sambas serão intercalados pela leitura de poemas de Bertolt Brecht, Paulo Leminski e Ana Cristina Cesar, traçando um fio condutor, não literal mas poético, que permeia e dá sentido a todo o CD e que desvela, na sua unidade, as tensões fundamentais entre a sofisticação e a simplicidade, a tristeza e a alegria, o universal e o particular, presentes de modo arrebatador no samba.
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