"Sou uma intérprete da canção, não componho, apenas canto. Isso me torna praticamente uma espécie em extinção".
Essa raridade é o trunfo de Jussara Silveira e é o que faz dela uma verdadeira intérprete, segura do seu trabalho e que diz sem medo: "Me ame ou se mande!"
O novo repertório traz uma fixação na "PESSOA". Numa época em que a "PESSOA" está em segundo plano, que vem escondida pelo culto da "celebridade", do instantâneo e do virtual, Jussara abre a boca para cantar as maravilhas de ser simplesmente uma "PESSOA". "Quem poderá em vão calar a voz do coração?", pergunta em, "A voz do coração", de Ronaldo Bastos e Celso Fonseca . E essa voz se expande como água cristalina, permeada por seixos de emoção. Dona de um dos timbres mais bonitos da música nacional, Jussara Silveira é acompanhada por Sacha Amback, nos teclados, e Marcelo Costa, na percussão.
O repertório tem como peça chave a canção "Love me or leave me" da dupla Kahn-Donaldson, em tradução para o português de Luis Ariston. A interpretação de Billie Holiday serve de inspiração para Jussara, mas o que conta é a força do título. Ame ou se mande! Love me or leave me! Jussara Silveira traz no sangue a força das grandes intérpretes. Arranca lágrimas. Desperta emoções. Acorda a "PESSOA"!
"Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que á vida é boa…", continua Jussara em "Dê um Rolê", de Moraes Moreira e Galvão. Segue por sambas, baladas e mornas cabo-verdianas. Passa por Waly Salomão, Jards Macalé, Luiz Melodia e Arnaldo Antunes. Na sua boca, cada palavra ganha nova vida. Sua dicção é precisa e sentidos ocultos vêm à tona.