Em língua iorubana, a palavra padê (Pàdé) significa encontrar. Na tradição afro-religiosa (predominantemente no candomblé) padê costuma ser a cerimônia inicial dedicada ao Orixá Exu, em que lhe são oferecidas cantigas e feitas homenagens basicamente com farofa de dendê e quartinha de água, despejados da entrada do terreiro para a rua. Por muito tempo o padê foi encarado como o ato de despachar Exu. Acreditava-se (e em muitos terreiros ainda se acredita) que, caso o Orixá não recebesse a devida homenagem, atrapalharia todo o ritual. Crença ainda mais plausível se levarmos em conta a perseguição policial às religiões de origem africana, que freqüentemente acabava mesmo com as festas nos terreiros de candomblé. Mas retomando o sentido original da cerimônia, o padê serve como um catalisador de energia sobre-humana, em que os fiéis evocam e pedem proteção aos ancestrais (Egunguns) e às mães ancestrais; e a Exu cabe levar os tais pedidos a essas entidades, como mensageiro eficaz e fiel que é. Ele fica ainda responsável por trazer os Deuses da África para dançar em solos brasileiros, ou seja, sem padê não há cerimônia, ela só se concretiza se Exu for sempre o primeiro a receber as homenagens.
Não por acaso, portanto, Padê é o nome do CD de estréia de Juçara Marçal e Kiko Dinucci. Ainda que estejam há bastante tempo na cena musical paulista, foi a primeira vez que o compositor teve suas músicas registradas em CD e a primeira vez que Juçara gravou um CD como cantora solista.
O repertório do show é constituído, em sua maioria, pelas músicas do cd Padê, com composições de Kiko Dinucci e também com grandes autores da música brasileira (Batatinha, Candeia) e da cena paulistana: Paulo Padilha, Walter Garcia, Luiz Tatit, André Bueno e Lincoln Antonio; além de cantigas aprendidas da cultura popular tradicional brasileira, a partir do trabalho de Juçara no grupo A Barca.
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