Quais as afinidades entre o paraibano Jackson do Pandeiro e o paulistano Adoniran Barbosa? Ambos cantavam o povo, mas de formas e em universos diferentes. O tecladista Dudu Alves conta que a ideia para fazer o novo disco, Quinteto Violado Canta Adoniran e Jackson (2010), foi do amigo Ronaldo Paes Barreto: "Foi quando a gente fazia aquele disco dos 100 anos do frevo. Ele viu esta possibilidade de interagir com Adoniran e Jackson, criando um paralelo entre a carreira dos dois". Ressalta o músico que a concepção do trabalho foi trazer Adoniran para o universo pernambucano, e cantar Jackson em ritmo de samba: "Ao mesmo tempo, o disco é uma homenagem a Adoniran, no centenário dele".
Embora esteja há 40 anos na estrada, os caminhos do Quinteto Violado não se cruzaram com os de Adoniran Barbosa (que faleceu em 1982). Com Jackson do Pandeiro (falecido no mesmo ano), o Quinteto Violado teve mais contato. Jackson até gravou uma música de Toinho Alves, "Sete meninas" (com Dominguinhos), em 1977. "Os dois tem repertório muito amplo, fizemos uma pesquisa com Ronaldo, decidimos escolher as músicas mais marcantes, com umas poucas menos conhecidas. O interessante no caso é o arranjo que cada uma recebe. "As mariposas", por exemplo, vira um frevo. Como a música é engraçada, fizemos ficar ainda mais divertida", continua Dudu, apontando que a inversão rítmica que fizeram com a música dos dois artistas tem muita inspiração no fato de eles usarem humor para cantar situações muitas vezes trágicas.
Nos show de divulgação do disco, o grupo o mescla o repertório do CD com músicas de várias fases do Quinteto Violado.
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