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Pra todos nós

Chegou até aqui pra Clarice e pra todo mundo uma dica valiosíssima que arrancou concentração máxima, palminha e até dancinha da Cacá.

Renee & Jeremy

Claro que a dica só podia ter vindo da bruxinha Ceumar e minha Rita Lee preferida, Tata Fernades

Pra todos nós, crianças de plantão

Zé do Caixão em alto RISCO!

Em primeira mão, seguem dois links para trechos da nova temporada de “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, que estréia em abril no Canal Brasil.
Uma das novidades é o novo cenário, que foi feito pelos insuspeitíssimos amigos, do estúdio RISCO .
As entrevistas da temporada são impagáveis, e entre os convidados estão Arnaldo Baptista, Washington Olivetto, Alexandre Frota, Ney Matogrosso, Agildo Ribeiro, Padre Quevedo, Sergio Cabral, Helio De La Peña, Arrigo Barnabé e muitos outros.
Capetinha e Zé do Caixão interpretam clássico do Iron Maiden:

Zé do Caixão e Capetinha comentam o filme “Avatar

Felizardo – O Melhor de Todos

O melhor musical infantil de todos os tempos para todos! de graça. Uma Aurora musical!

Entrada franca.

Ceumar e “A Comadre” no CD Compositoras

Um time de grandes mulheres, grandes compositoras. A Ceumar deixou seu tento. Uma parceria com Etel Frota, chamada “A Comadre”. O lançamento do cd tem show marcado no Sesc Santo André. O escrete ainda conta com Socorro Lira, Cristina Sariava, Simone Guimarães, Uxia. Golaço!

Em Fevereiro Tem Carnaval, Saracotia e Cafofinho

Só de ser fevereiro, a vida segue mais leve. Esse fato redime fevereiro das águas de março e das quaresmas.

Fevereiro foi regado de surpresa boa nesse picadeiro.

Como é instigante assistir acreditar que se consegue mostrar aos poucos, grandes trabalhos de grupos de fora daqui, do nosso mundnho

Veio de lá, de Pernambuco, dois shows que a Circus fez em fevereiro que me tomaram de alegria não só fazê-los, mas também assisti-los

O Saracotia fez uma bela apresentação que loguinho, poderá ser vista na íntegra no link do Sesc Instrumental. Enquanto isso, botem reparo nos meninos no My Space

No meio do show, eu dei umas tuitadas cheias de emoção:

SARACOTIA traz 1 setlist c/ Sivuca, Chick Corea, Paul McCartney, Jacob Bandolim. Marcio(batera) Rodrigo(violão) Rafael(Bandolim) compõem tb 8:11 AM Feb 23rd via web

Saracotia vai tocar Beatles… Blackbird tambem saracotia… Oh meu Deus, “pássaro preto” meio choroso meio country 7:51 PM Feb 23rd via mobile web   

Eles estao tocando Girassois, musicas deles… Lenta, linda, o lado ludico desse grupo encantador chamado SARACOTIA…Eta vida boa 7:42 PM Feb 23rd via mobile web

Nesse momento eu tô vendo um cara do meu lado chorando copiosamente depois do SARACOTIA ter tocado Assanhado, do Jacob… o mundo tem jeito

E depois disso tudo, conseguimos trazer o Zé Cafofinho e Suas Correntes para um pequena turnê em São Paulo.  Fizeram um show delicioso no Sesc Avenida Paulista. A performance do Tiago (Zé Cafofinho) no palco tá me lembrando o também pernambucanos Genival Lacerda.  Um Genival enviesado. Aliás assisti um documentário revelador de Genival Lacerda no Canal Brasil chamado o “Rei da Munganga”.

O Zé Cafofinho comemora a Gaby Amarantos (Tecnobrega Paraense) estar contando “Xirley” e ter pedido ao Tiago mais músicas. Ela disse que as músicas do Zé Cafofinnho são “firmes” e pediu pra ele mandar mais músicas e pediu para gravar algumas.

Sinais dos tempos. Se a Maria Bethania atestava a qualidade de um compositor do “condomínio fechado da MPB”, já diria Pedro Alexandre Sanches, hoje o Chimbinha, a Joelma e Gaby também podem ser importantes na carreira dos independentes.

Como disse alguém no Twitter:

“Meu buchinho é teu/Meu Amor também/Troquei o lençol/Deita aqui, neném”

“Você é que nem suco de mangaba/Docinha me deixa a boca grudada”

 

Cem Anos, Cem Anos

Ontem, no Pacaembu, estréia da Libertadores, a gente sofreu às tampas. O time do Racing do Uruguai tinha tanta qualidade quanto o Radium FC - não o inesquecível Raduim de Chicão, Gutão e Calada dos anos 80- mas o Radium que disputa atualmente para não cair na Série B-5-item-k.

Pois bem, preciso urgentemente me convencer que torcer pro Corinthians seja somente um hobby*, como tentou me convencer a Mariana, ontem à noite.

Hobby* - Segundo o Houaiss: “substantivo masculino, atividade exercida exclusivamente como forma de lazer, de distração; passatempo”

Não há paixão nesse mundo que justique tanto sofrimento pra vencer um time tão ruim numa competição tão cara (caríssima) ao fielcorintiano.

Sempre disse que o Souza ainda ia nos mostrar seu valor. 180 mil/mês.  Ontem, quem diria, ele mudou a maneira de jogar do Corinthians e ajudou a virar o placar contra o time do Racing-Radium FC. Até a camisa do Racing é igual à do Radium FC.

Além da pulga atrás da orelha desse time badalado que precisou do Souza pra bater o Radium, permanece o indefectível amor ao Corinthians e o vulnerável poder de argumento para explicar à Mariana que ”hobby” não é o termo mais apropriado para definir essa relação blogueiro-palhaço/torcedor… 

 

O Fundão e o Nirvana

O carnaval é o meu Nirvana. O Fundão é o meio de obtê-lo, ou um caminho possível. Assim como os blocos, os maracatus, os trios, os desfiles em geral.

Para os que não puderam pretigiar e para os que lá estavam, alguns momentos do Fundão que me arrebatou na avenida e me pôs a cantar o tempo todo.

Alô, Alô Cotchetcha! Alô, Alô Paulo Aliende!
Parece que o carnaval de Mococa vai voltar. Devagar, mas está voltando ainda que minha geração morra de vergonha de um dia ter se “desbundado” na avenida. Amigos, estou esperando vocês

Mário Gomes – Poeta, Santo e Bandido – Parte II

Recebi de um dos tresouquatro (Cristiane Morais), que andou perambulando por este Picadeiro, uma matéria sobre aquele “poeta maldito”  que eu encontrei em Fortaleza nos arredores do Dragão do Mar. Mário Gomes é maior que as estrelas daquele céu sem fim. “Lábios de Mel” que se mordam

O Meu Carnaval Ninguém Tasca

Hoje eu completo mais um carnaval. Nada de anos ou primaveras. Meu contador se reinaugura a cada carnaval , que me revigora,que me traz esperança, que me deixa aliviado, que me traz paz e mais um tanto de cada coisa boa que não sei cantar em samba e verso nessa hora

Trago um carnaval inteiro no peito. Que vai se espalhndo a cada ano de vida. Tijolo sobre tijolo, num desenho mágico

Por falar em carnaval, fica o Chico Buarque da Mangueira

Até quarta

Porque quem bloga não samba

Vou te dizer

do Fundão do Coração

Que é mais fácil

eu encontrar o Nirvana

a perder meu carnaval

Me dá licença, seu Antunes

que vou passar

com confete, serpentina e lança-perfume

e muit

A Revista Caros Amigos fala sobre pixação e arte em São Paulo

A partir da 1ª Bienal Internacional de Arte de Rua de São Paulo, que acontecerá no final do ano em São Paulo, a revista Caros Amigos de fevereiro debate sobre pixação na metrópole.

Sob a coordenação do artista plástico Rui Amaral, um grupo de oito artistas de rua formarão a curadoria da Bienal, que terá exposição no Museu de Arte Contemporânea e intervenções na cidade, além de oficinas, debates e exposição de vídeos.

Com o objetivo de mostrar um pouco do universo de um tema polêmico e pouco compreendido pela população, a edição deste mês da Caros Amigos traz um pouco da história do pixo em São Paulo e do graffiti em Nova Iorque.Eles nasceram como manifestações urbanas ilegais, praticadas por jovens pobres.

Fala também da evolução dele, atualmente praticado pela classe média e classe média alta, que tem acesso a tintas e cursou faculdade. Segundo Choque um fotojornalista que prepara um livro sobre o tema “Compreendendo a pixação, a sociedade estará compreendendo a si própria”, pois toda manifestação artística “é reflexo direto dos acontecimentos e valores da sua época”.

Além disso, a matéria discute sobre os ataques de pixadores a instituições de arte em 2008. Eles tiveram ampla repercussão na mídia e proporcionaram visibilidade para a arte urbana presente há cerca de 30 anos em São Paulo. Os alvos das intervenções foram o Centro Universitário Belas Artes, a Galeria Choque Cultural e a Bienal de Arte de São Paulo.

Curiosidades como a grafia com “x” reivindicada pelos pixadores para se diferenciar das pichações políticas (mais comuns durante a ditadura), do movimento punk e de propaganda, também aparecem na reportagem.

A matéria mostra que mesmo com as intervenções, os debates acerca de seus significados e causas são escassos. Tida como um problema social, crime previsto no código penal, ela é, na verdade, reflexo da aguda desigualdade social da cidade mais rica do país e merece atenção.

Anjo Negro, Pena Branca

Morreu o Pena Branca. Queria exemplo do que soava no por do sol do fim da terde da roça? Pena Branca e Xavantinho!

Queria dar exemplo do que era a mais linda moda de viola chorada no cio da terra? Pena Branca e Xavantinho!

Aqui, o Nassif selecionou alguns momentos do Pena Branca

O disco “Cantar Caipira” (2008) levou Pena Branca a concorrer como melhor disco e melhor cantor… “Regional” no Prêmio da Música Brasileira.

Foi lá, que eu tive o prazer de sentar ao lado dele, numa mesa de canto do Canecão, onde nós vimos outra cantora de samba, Clara Nunes, ser homenageada.

No centro do Canecão os lugares eram reservados aos cantores vips da Mpb. Cada vez mais desgastada essa sigla, cada vez mais difícil de ouvir a música “regional” onde Pena Branca era classificado, é por esses regionais, cada vez mais sumidouros, que vamos beber a melhor cultura.

“Pelas borda”.

Saracotia

Esse circo está com o picadeiro lotado com tempo nenhum de sobra. Mas foi impossível resistir ao grupo pernambucano Saracotia. Trata-se de um grupo instrumental da gota.

Kiko Dinuci em Dose Dupla

Alô, alô,

Kiko Dinucci tem comichão. Ele não assossega. Toca na quinta com a talentosa compositora, cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão na Casa De Francisca. E na sexta, o forrobodó é completo no lançamento do “Na Boca dos Outros”, no Sesc Pompéia.

Vou nas duas doses

www.myspace.com/kikodinucci

Dia 2 de fevereiro! Dia de Iemanja

Recebi esse convite da Juçara Marçal e procurei pela wikipédias da rede e a explicação menos confusa pro meu cabeção foi essa: Iemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja, é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” (“Mãe cujos filhos são peixes”), identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá. Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de “sincretismo” encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais “manifestações pagãs” em suas propriedades. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a “Janaína do Mar” e como canções litúrgicas

Ok, Janaína! Com Juçara e Jonathan. Na casa de Francisca



O Poeta Washington Moraes Blogado

Cada blogada com um suspiro de inteligência vinda da minha Mococa enche esse palhaço aqui de orugulho! E o que dizer, quando vem de lá, sopro de genialidade?

O orgulho escorre aos litros!

Graças à iniciativa de Maycon Alves (historiador), Getulio Cardozo (poeta), Paulo José Vieira (poeta) e Gustavo Leonardi (músico), podemos conhecer um pouco do poeta Washington Moraes.

foto: Diário de Mococa On Line

O Blogue se chama 256 Fundos, e a partir de hoje, habita nosso picadeiro.

Tanto o Flaitt como o Getúlio me sopravam preciosidades do poeta. Antes deles, minha curiosidade foi despertada pelo meu amigo Marcus Vinícius de Moraes. O Marquinhos, meu companheiro de volei no Girafa desde 1987, me dizia que o Washington era tio dele. E falava que o cara era “o poeta” de Mococa.

Depois me lembro que ele foi parceiro do samba enredo Macunaíma (1988) do Vira-Virô (ao lado do Kico Zamarian e Elenir, talvez) . Eu acho aquele samba dificílimo e maravilhoso. “Hoje Aqui Nessa Avenida/Vamos Cantar Macunaíma/ O Grande Mal dessa Vida/ Cantê-mo-lo em Prosa e Rima”

Enfim, um canto pra coisas do poeta. Grande iniciativa dos comunistas! Os comunistas de Mococa estão com tudo! Alguém precisa fazer contraponto pra cidade que tucanou até as pontes do Ribeirão do Meio… além de ter dado quase 80% dos votos pra Geraldo Alkimin… Como diz o Flaitt: Jezebéu!

Circus Mundi – Pra Gringo aplaudir

Alguns artistas que são representados pela Circus andam bagunçando pelo mundo à fora. A Renata Rosa, que sai todo ano em turnês pela França e arredores, fez um espetáculo inesquecível no Theatre de Ville, no final de 2009, ao lado dos inseparáveis Pepê, Lucas dos Prazeres, Hugo Linns e Aninha Araújo + as índias da aldeia Kariri Xocó, donde Renata conviveu a aprendeu seus cantos bonitos.

A novidade foi dar em Paris… olha essa foto no Metrô de Paris!

Renata e a a Cia Pina Bauch dividindo as atrações do teatro.

A carreira da Renata Rosa fora do Brasil é conduzida pela Outro Brasil.

O Melhor de Sampa – Especial Racionais MC’s na SescTV!

Recebi da amiga Camila que no dia do aniversário da cidade de São Paulo, será exbido na SescTv, o show do Racionais MC’s gravado em agosto do ano passado no Sesc Santo André. Uma hora de imagens caprichadas, sucessos antigos e músicas inéditas.

O especial é mais especial porque mostra pras outras cidades que o hip hop é mais forte que o concreto frio da cidade

Pra esquentar, um teaser:
http://www.vimeo.com/groups/31504/videos/8267170
E algumas fotos do show, feitas pela Camila Miranda, no flickr dela:
http://www.flickr.com/photos/camilamiranda

Mococa pode ter mais uma barbárie arquitetônica

Me lembro que em 1995, quando fui presidente da UMU, realizamos um debate sobre verticalização e Plano Diretor na cidade de Mococa com a presença de Ricardo Moretti, do Isntituto de Pesquisas Tecnológicas. Não havia Plano Diretor na época. Mococa é a cidade que tem um belo patrimônio de arquitetura néo-clássica, e que, ao mesmo tempo, já permitiu aberrações como um prédio denominado Marmitão no meio das casas coloniais. O Renato Granito mandou um email alertando pra mais um perigo. Desa vez, uma demolição do antigo Hotel Brasil. Sem querer ser pessimista, o que a população pode fazer nesse caso, se há poucos anos, tivemos que assistir a desocupação do Museu de Artes Plásticas do prédio original cedendo-o para a Câmara dos Vereadores? O próprio poder público tomou a iniciativa! Nunca um livro fez tanto sentido na minha cabeça como o de Marshall Berman: Tudo que é sólido desmancha no ar – A Aventura da Modernidade

PATRIMÔNIO AMEAÇADO: DEMOLIÇÃO DO HOTEL BRASIL

 

“Há de se reverenciar e defender especialmente as capelinhas toscas” (ANDRADE, Mario).

A compreensão do progresso esta motivada no delíquio da nossa sociedade como progenitor do desenvolvimento, depreciando o passado por meio do esquecimento das tradições, e a demolição de artefatos históricos, tais como: construções e objetos de valores culturais. A valorização e a conscientização da memória são de extrema magnitude para a permanência e a resistência de resquícios da nossa história, ou seja, o Patrimônio Histórico Artístico e Cultural. Deste modo o educando ao se contextualizar sobre a importância destes bens para a compreensão do seu passado, por conseguinte torna-se um agente ativo no propósito da manutenção e preservação da sua história, cabendo ao educador lhe instigar cada vez mais para conseguir transformar a mentalidade de uma sociedade com vícios tecnológicos.

O Hotel Brasil erguido no século XIX devido ao grande fluxo financeiro proveniente da alta expansão cafeeira no município de Mococa foi construído pelo então João Vita, genro do fazendeiro José de Souza Dias um dos fundadores de São João da Fortaleza (Arceburgo). A construção imponente tem características neoclássicas, porões altos, e ultimamente estava em estado de deteriorização.

http://www.diariodemococa.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=1720

100 anos é um bocado

Aqui pros tresouquarto, digo logo que esse ano eu já prometi tentar conter minha torcida nas eleições. Mas em compensação, tem 100 anos do Corinthians. E 100 anos não são 100 dias. É tempo pacas.

Ontem eu fui no Paca. Ver Timão e Braga. Foi um sofrimento só

Cheguei a fim de comprar ingresso do cambista pra ir no Tobogã. Mais barato. Consegui um ingresso de 50 paus na arquibancada central. O preço original é 70 e eu comprei por 50 porque os cambistas compram a 35, preço de estudante.

Eu sou Fiel Toredor – plano que o Corinthians fez pra estorquir a gente que é idiota apaixonado. O torcedor Fiel Meu Amor, esse que sou sócio, custa uma fortuna por ano – tenho até vergonhe de falar – e e você só compra ingresso (o mais caro) pela internet alguns dias antes do jogo.

Eu que trabalho feito burro velho só sei se posso ir no jogo duas horinhas antes. Então, pratico esse crime e compro do cambista, às vezes.

Mas vamos ao jogo: A torcida foi linda. Cantou como nunca. Quando desabou a tempestade, a torcida intensificou o canto e foi demais. Não deu pra lavar a alma porque o jogo foi ruim, mas esfriei o cabeção que ensopou por inteiro.

O jogo foi uma bosta. Tô com muito medo do que o Ronaldo vai fazer esse ano. Ontem foi constrangedor ver o cara se arrastando hipopoticamente no gramado. Mas fazer qualquer previsão contra o Ronaldo é arriscado demais. E eu aposto nisso. Outra surpreendente “volta por cima”.

Mas o o primeiro jogo de centenário foi de uma torcida não de um time.

A patroa Nasolanda

A Ceumar mandou pra gente o flyer (voador) – como se escreve voador em holandês? – da próxima apresentação dela em Amsterdam:

lieve vrienden!
 
CEUMAR -special gast in de BADCUYP, VOCAL SESSION 
Amsterdam, dinsdag – 21:00
nesta terça -19 de janeiro – a partir  das 21:00.
Met Mark Zandveld en trio + Olaf Keus – drums !
 
……BADCUYP……………
 
de volgende concert in Mart : Seabottom Jazz Festival em Lelystad!
met Mike del Ferro, Olaf Keus en Frans van der Hoeven!
 
beijos CEUMAR
 

O Rock In Rio pelo jornalista Flávio Gomes

Então foi assim. 1984, começo, talvez meio do ano. Compramos ingressos para o Rock in Rio. É bom que se explique. Comprava-se por telefone, creio. Não. Posso estar redondamente enganado, mas não era por telefone, não. Era uma agência do Banco Nacional na rua Domingos de Morais. Uma agência que se parecia com os boxes de Jacarepaguá. Será que estou sonhando?

Eu tinha talão de cheque, já. Do Bamerindus. Minha primeira conta. Bamerindus, agência em São Caetano do Sul, ao lado de um dos portões da GM. Eu era loucamente apaixonado pela moça do caixa. Ela tinha olhos verdes e cabelos lisos castanhos. Pele morena, talvez dourada. Sempre pegava a mesma fila. Minha primeira conta bancária. 19 anos de idade. O primeiro cheque eu passei na rua. Perto do Mercado Municipal. Um cara vendia guias de ruas de São Paulo. Estacionei o carro e fiz o cheque no capô do meu Gol LS. Disso eu lembro bem. Do primeiro cheque.

Ela era linda, a moça do caixa. Só a via da cintura para cima, atrás da máquina de autenticar. Aí descobri que se ela fosse ao fichário consultar minha assinatura, ficaria de pé. E a via de costas. Às vezes, de calça branca. Linda. Descontava meus próprios cheques para vê-la de pé.

Casei-me com ela várias vezes, ao me deitar. Imaginava uma pequena casa geminada, talvez lá mesmo no ABC, onde ela devia morar. Ela devia ter um nome no crachá. Disso não me lembro.

1984. Eu estava na faculdade e tinha 20 anos. Rock in Rio. Vamos? Vamos. Juntei o dinheiro do salário que ganhava do meu pai por tocar a empresa de água mineral na rua Piauí. Odiava aquilo. De noite, fazia faculdade. De tarde, escrevia para um jornal. Saía de São Caetano para a faculdade, passava no jornal, no Centro, e chegava atrasado às aulas, carregando laudas que comprovavam meu sucesso como jornalista. Não ganhava nada no jornal.

Vamos? Vamos. Compramos os ingressos. Sim, foi na agência do Banco Nacional. Acho que foi. Venha buscar em não-sei-quantos dias. Fui buscar no dia que sabia quantos eram. Vieram num envelope. Eu já trabalhava, não podia ir a todos os shows. Os três primeiros dias e os três últimos. Algo assim.

No envelope, um adesivo. EU VOU. Colei no vidro do Gol, que tinha também um escudo do meu time e um adesivo da rádio Cidade, prateado. 96,9. Era a rádio que eu escutava no meu Rio de Janeiro com equalizador Tojo.

EU VOU. Motivo de enorme orgulho, porque ia mesmo. Aí, no fim do ano, comecei a namorar. Ela não queria que eu fosse, mas fui. Eu sou assim, faço muitas coisas que não querem que eu faça.

Fomos numa Caravan, rebocando duas motos. Uma DT 180 e uma CG 125, esta do meu tio. Ficamos em Ipanema, no apartamento da tia de um de nós. Éramos quatro, duas motos. Eu dirigia uma, com um de nós na garupa.

Não tínhamos grana. Mas tínhamos cheques. Os meus, do Bamerindus. Os de um de nós, do Banco Real. Passávamos cheques. Comprávamos camisetas, Malt 90 e Bob’s burgers. Deitávamos na lama para ouvir quem estivesse lá.

Éramos 300 mil no primeiro dia, disseram. 300 mil. Puta que pariu. 300 mil. Na lama, tomando Malt 90. Ney Matogrosso abriu o festival. Nosso Woodstock. Vaias. Ele nem aí, quase nu, abrindo os braços para a multidão. Havia metaleiros por todos os lados, porque era noite também de Whitesnake e Iron Maiden. Mas antes teve Erasmo Carlos, Pepeu Gomes e Baby Consuelo. Quem mais imaginaria juntar Baby Consuelo e Iron Maiden na mesma noite? Eu olhava tudo encantado, como se não fizesse parte daquilo tudo. Nunca me senti fazendo parte de nada. É assim até hoje. Não sou parte de nada para ninguém.

E para fechar, Queen. Quando veio “Love of my Life”, eu já tinha me perdido dos outros. E por alguma razão, fiquei chorando na chuva e na lama. Eu só tinha 20 anos e era eu quem estava cantando, ninguém mais, para 300 mil pessoas.

Minhas lembranças são muito dispersas. Acho que vi James Taylor e Rod Stewart. B52s, com certeza, Blitz também. E Paralamas, quem são esses caras? Um deles usava óculos, era tímido, mas cantava pra caralho. Lembro de Scorpions e de Yes, fechando o festival. Eu tinha uma mochila azul emborrachada. No último dia, comprei um adesivo escrito EU FUI.

11 a 20 de janeiro de 1985, foram os dez dias do Rock in Rio. Acho que estive em seis deles. Tivemos de voltar no meio da semana para trabalhar, éramos todos rapazes responsáveis, que bebiam muito, mas não fumavam maconha, nem cheiravam cocaína. Éramos medrosos e caipiras. Eu era um garoto de 20 anos que nada sabia de nada. Mas que chorou ao ouvir “Love of my Life”. Talvez eu soubesse de tudo.

Quando eu era pequeno, perguntei ao professor de religião quantos anos a gente iria viver. Ele disse que 100 anos. Era mentira, poucos vivem 100 anos, mas me fiei no mestre e 100 anos passou a ser minha ideia de vida. Daquele Rock in Rio, passaram-se 25, um quarto. Some-se os 20 que tinha, estou quase na metade, e é claro que não chegarei aos 100 anos, em que pese a convicção do professor de religião, assim já se foi a metade, ou mais.

Não contei para a menina do caixa do Bamerindus que a amava e que queria viver com ela numa casinha geminada. Acho que não fiz grande coisa até agora.

Flavio Gomes: É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69

Tuítadas desconexas

  • Apaixonado por Sampa: As barraquinhas ambulantes de frutas nas esquinas é a melhor coisa q essa cidade já inventou. Mas Kassab proíbe, claro
  • Marcelo Rubens Paiva comentou sobre a direita camuflada no Brasil (e a morte de Erasmo Dias)  - Leia Aqui
  • Blog Nova Iorquino coloca o disco novo de Kiko Dinucci (Na Boca dos Outros) entre os melhores de 2009. Eu já sabia!
  • [Retuitado do NUBLU] – Otto picked best international record (#1) on Chicago Reader
  • [Retuitado do Observatótio da Imprensa - sobre Direitos Humanos] – O Macaco não soube esconder o Rabo
  • Pra quem é de Mococa. Viva Getúlio Cardozo – Do Diário de Mococa
  • O Fundão tem o samba enredo de 2010 - Nosso carnaval tá garantido -

100 anos de Adoniran na Casa de Francisca

A Casa de Francisca está se notabilizando pelo rigor de belezura que vem mantendo na sua programação. Em 2010, Ruben e Cia já chegaram arrombando a maloca e realizando uma semana certeira em homenagem ao centenário Adoniran. E não é que ele é centenário como o meu timão!

Claro que não poderia faltar o Kiko Dinucci, que além de ser o compositor mais legal dessa terra de enchentes (ô, saudade da garoa) também fez esse cartaz bacanudo!

Ô SEU BARBOSA! 100 ANOS DE ADONIRAN
de 21 a 27 de JANEIRO de 2010

Nascido em 1910, em Valinhos-SP, João Rubinato, que ficou conhecido como Adoniran Barbosa, foi um dos artistas mais versáteis do século XX. Adoniran mudou-se logo para a capital paulista, e lá trabalhou como humorista, ator e radialista, mas foi como compositor que se tornou imortal. Suas músicas eram verdadeiras crônicas sobre os bairros paulistanos e a vida dos moradores da cidade. Geralmente bem-humoradas, muitas dessas narrativas ficaram conhecidas em todo o Brasil.

MAURICIO PEREIRA
quinta [21/01] 21h30_ R$26
Acompanhado por Daniel Szafran ao piano, Mauricio faz uma versão radicalmente paulistana do seu show Mergulhar na Surpresa. Totalmente cantado e apresentado em idioma local, o roteiro traz, além de Adoniran cantado com sabor pop, outras sonoridades típicas da cidade, como Ira!, Incríveis, Mamonas, Kid Vinil, Joelho, Vanzolini. Sotaque e pegada, como manda o figurino.

WANDI DORATIOTTO E DANILO MORAES
sexta [22/01] 22h30_ R$26
O show “Vida Rouca” apresenta algumas das grandes canções do mestre do samba paulista e destaca sua habilidade como humorista, condição que permeou toda a sua atuação como músico e ator. No espetáculo os músicos também apresentarão músicas de outros compositores que tiveram grande influencia do homenageado.

PASSOCA canta inéditos de ADONIRAN
sábado [23/01] 22h30_ R$26
O Sr. Juvenal Fernandes, que durante anos conviveu quase que diariamente com Adoniran, e com a autorização da viúva, convidou parceiros para colocar melodias em parte de letras inéditas do compositor. Entre eles Passoca, que selecionou algumas parcerias de acordo com suas características vocais e interpretativas. Neste show, Passoca (voz e tamborim), Thomas Howard (violão de 7 cordas) e Alê Ribeiro (clarinete) apresentam além das composições inéditas, alguns clássicos de Adoniran como Saudosa Maloca, Iracema, Bom Dia Tristeza, As Mariposa entre outras.

PAULO VANZOLINI
dom/seg [24 e 25] 21h30_ R$53
Um dos grandes nomes da música brasileira, o compositor e cientista Paulo Vanzolini faz duas únicas apresentações, como parte das comemorações dos 100 anos de Adoniran Barbosa. Ao lado da cantora Ana Bernardo, Vanzolini conversa com o público, revela histórias curiosas e apresenta sambas como “Seu Barbosa”, que compôs em homenagem ao amigo compositor.

ROBERTO SERESTEIRO
terça [26/01] 21h30_ R$19
Roberto Seresteiro apresenta os sambas de Adoniran Barbosa ao lado de Lucas Arantes (cavaco), João Camarero (violão e cordas) e Alfredo Castro (percussão) levando o público para o contexto em que as músicas foram criadas. Uma apresentação despretensiosa que homenageia a memória um dos maiores nomes da cultura e da produção artística de São Paulo.

KIKO DINUCCI
quarta [27/01] 21h30_ R$19
Kiko Dinucci apresenta sambas de sua autoria influenciados por Adoniran Barbosa. Além de suas composições e do mestre Adoniran, Kiko aponta no repertório os ecos da obra do compositor paulista no cancioneiro urbano de São Paulo.
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Conheça o cardápio de alimentos e bebidas artesanais_
Serviço somente antes e depois das apresentações!
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Casa de Francisca
Rua José Maria Lisboa 190, travessa da Brigadeiro Luís Antônio
T 11 3052 0547
reservas@casadefrancisca.art.br
www.casadefrancisca.art.br
terça a domingo das 20h a 1h

De que lado você samba?

O governo Lula caminha numa corda “bomba”. Prestes a explodir. Durante todo mandato. Bamba é o Presidente Lula que se comunica com a população brasileira sem interlocutores e permite ao Brasil avançar em vários setores.

O Plano Nacional de Direitos Humanos mostra o quanto o governo Lula tem de contraditório dentro dos  próprios ministérios. E revela o ministro da defesa contra o ministro de direitos humanos; o da agricultura contra o ministro da reforma agrária… Para cada progressista tem um reacionário de plantão.

Qual é a dificuldade do brasileiro saber a história do Brasil? Eu imagino horrores do recém-finado, Erasmo Dias, e talvez, ele nem tenha sido tão filho da puta assim. Então, mostra tua cara, Brasil! Ou será que ele foi muito mais truculento do que se imagina?

Percebe? Os próprios Militares de bem deveriam defender a história .

E se de um lado, o governo tem dentro do próprio governo posições contraditórias de pensamento, por outro lado, a grande imprensa parece uníssona na defesa do status quo.

O que mais me intriga são os setores que defendem o PNDH se equivocando, a meu ver, ao querer convencer os setores mais tradicionais da imprensa e da sociedade de que o PNHD não é invenção do Lula nem da esquerda do Brasil.

O que eu mais tenho visto – mesmo pelos jornalistas que defendem o PNHD – é querer amenizar a proposta do Ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, dizendo que a proposta é oriunda do governo FHC (Ouça o depoimento do  Paulo Sergio Pinheiro, ex-Secretário Especial dos Direitos Humanos de FHC). FHC foi o governo que concebeu inicialmente a transposição de águas do Rio São Francisco mas não teve o ímpeto de colocar em prática. Também criou o Bolsa Família mas tinha vergonha de desenvolvê-lo. Pensou em abrir os arquivos da Ditadura mas não teve peito para enfrentar a caretice daqueles que o sustentaram. Teve, entretanto, a astúcia – sejamos comedidos -  de mudar a Constituição em benefício próprio criando a reeleição.

Ora, o debate tem que ser colocado para a população. Como disse Marcelo Salles na Caros Amigos, ”a Constituição Federal, por exemplo, considera que a prática da tortura não pode ser objeto de graça ou anistia. Tratados internacionais estabelecem que crimes de lesa-humanidade, como a tortura, são imprescritíveis. Comissões de Verdade funcionaram ou funcionam muito bem em outros países, e isto é sistematicamente escondido por meios de comunicação”.

Alegar a Lei de Anistia para encobrir a verdade é como pedir pra quem apanhou esquecer da briga. Mais ou menos assim: Hoje eu vou te dar uma surra mais amanhã a gente esquece, tá?

Como o Presidente LULA vai encarar esse desafio de entrar para a história como o único presidente com coragem suficiente de devolver parte da história do nosso país à nossa população?

Se eu pudesse falar com o Lula eu diria: Vai, Lulão, esses 80% de aprovação são ilusórios. Usa uma sobrinha disso e dá tua cara pra bater, vai!

E você, de que lado você quer sambar?

Em Busca Do Nirvana

Samba Enredo da Escola de Samba do Fundão 2010
Composição: Paulo Aliende

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“Em Busca Do Nirvana”

Raiou e despontou no céu a luz do dia,
Na linha do horizonte, na terra do sol nascente,
Clarão que ilumina o meu carnaval,
Visão nesta viagem transcendental,
Em busca do Nirvana, todos a bordo minha gente,
Vamos voar em direção ao oriente.

A vida vive me dizendo, pra eu me orientar,
Pensei e cheguei à conclusão, orientar não é ocidentar,
Então vou viver a experiência, deixar o oriente me levar,
E encontrar meu yin yang e assim me equilibrar,
Lá no mar da sabedoria, pra nas ondas da paz eu navegar.

Filosofia ô filosofia, agora eu tenho uma pra valer,
Que harmonia ô quanta harmonia, dentro do “ser”,
É praticar o bem e não fazer o mal, é controlar a mente e relaxar,
Viver num mundo zen é sempre um ritual pra felicidade emanar.

Tudo começou na Índia, com Sidharta o grande mestre,
Que encontrou uma saída para a vida melhorar,
Sua filosofia se espalhou, por toda essa cultura milenar,
Da China ao Japão tudo mudou,
Neste longo aprendizado, pra minimizar a dor,
Agora, é o Fundão, que se enveredou,
E brilha na avenida com essa mensagem de amor,
Paz, serenidade e prosperidade,
Se quem semeia vento, colhe tempestade,
Por onde passo, eu só faço amizade

Essa é e sempre foi e será a minha filosofia,
Lavo minha alma nesse banho de alegria!

2010 chegou CHEGANDO

E chovendo muito e desolando as encostas e periferias. Que “judieira” o oásis que era São Luiz do Paraitinga…

2010 chegou me trazendo intimamente uma sensação de descaso com meus tresouquatro. Poucas blogadas que tenho dado.

Tenho que confessar aqui: Estou apaixonado pelo Twitter. Sabe aquela “mina” que tu nunca deu bola e de repente ela tá ali, linda, toda procê? Deita e rola, amigo! É assim que eu tô no Twitter.

Embora esteja só no “papai-mamãe” – eu não domino sequer as técnicas mínimas de “retuitar” ou mandar um tuíter só pra um nego específico – saboreio com demasiado entusiasmo cada “tuítada” que dou.

Confesso que luto ardorosamente para obter novos seguidores. Eu queria ter um milhão de amigos pra bem mais forte eu poder tuitar. Mas não há meios de elevar os seguidores.

Quando ele dá uma subidinha eu caio na tentação de falar de política, blasfemear o Deus do STF, “jogar bosta na Geni” - a defesa pela Comissão da Verdade para saber a verdadeira história contra os toruradores da Ditadura do meu país me rendeu umas baixas – e pronto. Perco seguidor.

Tem problema não. 2010 eu contrariarei os marqueteiros e utilizarei o futuro do presente sem aminizar nas conjunções verbais. Arriscarei a dar minha opinião política embora já tenha até estudiosos de “cases” na família que me esconjuram porque não deveria me expor tanto.

Não tem jeito. Cada blogada ou tuitada que dou é como um oaristo que eu beberico com a  amada debaixo do edredon ou como um papo-furado de fim de ano delícia com meus familiares no terraço da casa da mãe. Vem com tudo. Com palavrão, erro de português, gritado e parlado com as mãos balançando italianicamente.

O Daniel Dantas continua mandando e desmandando no Brasil e o Lula – ai, que vergonha do Lula – não desmascara um montão de canalha. Por que não usa essa popularidada no fim do mandato? Por que não enquadra os ministros Helio Costa e Nelson Jobim? Outros se desmoralizam por si. Não resitem há um off de intervalo sequer. O que dizer do Boris?

2010 começa com muita espectativa de um ano bom. Com bastante trabalho e que a gente tenha oportunidade de usar bastante brecha para consguir nossos objetivos.

Sem as brechas é agua mole em pedra dura

Hanami – Cerejeiras Em Flor

Não é possível que eu nunca vi nada da diretora desse filme. HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR, de Doris Dörie. O filme tem no elenco também todos atores que eu nunca tinha ouvido falar: Elmar Wepper, Hannelore Elsner e Ay Irizuki. Somente o bailarino de Butô, coreógrafo e diretor do “Mamu Butoh Center”, Tadashi Endo, que faz uma ponta no filme e que os paulistanos já puderem vê-lo fazer apresentações no SESC Belenzinho

O filme é belo, delicado e conegue se manter longe da pieguice o tempo todo. Uma doença grave do marido que a eposa omite.   Os médicos e a esposa que estimulam o marido a aproveitar o pouco tempo que lhe resta. A desilusão dos pais com os filhos. A grande surpresa da vida – a morte da esposa – lança o marido ao reencontro da vida da sua grande companheira e revela o quanto a vida pode ser doce.

Butô, os mistérios que a morte provoca, a velhice, a solidão, os conflitos entre gerações de pais e filhos, o Japão e a cultura de lá.

“Se oriente rapaz,  e considere possibilidade de ir pro Japão”

HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR não combinava com o dia de hoje. A notícia terrível da manhã de que um colega de carnaval morreu brutalmente assassinado na “pacata” e “bucólica” Mococa.

Deixei o cinema com um desejo sufocado de que a vida vale a pena… Mas chega-se em casa e as multas e os impostos do Kassab te devolvem o sangue nos olhos.

Abraços Partidos para um Feliz AnoVelho

2009 foi um ano corrido e eu quase não vi nada no cinema. Eu não podia terminar 2009 com tanta desesperança no meu coração… Por isso fui assistir Almodóvar. Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos). O Filme tem Penélope Cruz, Lluís Homar, nos papéis principais.

Hay que hablarmos una cosita: A Penélope Cruz teria atingido o auge da beleza em Vick Cristina Barcelona do Woody Allen PERO NO: Ela tá mais bonita ainda em Abraços Partidos. E alguma lei internacional decretada pelo mais temido dos ditadores, capaz de detonar o mundo com certeiras doses de bombas atômicas, com um nome bem complicado, do tipo Mahmoud Ahmadinejad deveria dizer: Caput do único artigo: “Depois do Banderas ter se vendido, a Penelope Cruz está obrigada a não participar de nenhum filme que não tenha direção do Almodóvar”. (Tem que ser um decreto ditatorial porque acordos não são respeitados pelos EUA).

Volvendo a película, Almodóvar me faz acreditar que o mundo tem jeito. Não importa se é de mentirinha. A ilusão também é redenção. O cinesta que não vê também faz milagre. Viver de (falsa) memória também alimenta a alma.

Penélope (Cruz) e Lluis (Homar) assistem na TV a uma cena de Viaggio in Italia, de Rossellini,com George Sanders e Ingrid Bergman assistindo à exumação do casal que morreu abraçado, devorado pela lava do Vesúvio. “Luis acredita, no filme, que estava abraçado com Penélope quando houve o acidente de carro”. Sua memória é falsa, mas muita coisa em Abraços Partidos não é aquilo que parece ser”, disse Alodóva em entrevista recente.

O filme tem uma trama que podia cair no ridículo como o final do filme sabotado dentro do filme, mas quando o cinema tem rédeas, é reggido no melhor sentido italiano, o final é sempre tão belo quanto as imagens personalíssimas do diretor.

Devia ter poupado os tresouquatro e ter colocado logo a excelente crítica do Luiz Zanin Orichio, que eu li logo no lançamento do filme, aqui na Mostra. Assisti ao filme e me lembrava de cada opinião do crítico.

Ufa, achei que nada, nem um otimismozinho sopraria pras bandas daqui. Mas um Almodóvar vale mais que dois ou três filmes que não assisti em 2009.Abraços Partidos não fala somente sobre a paixão do diretor pelo cinema, AP fala de sentimentos, “sobre o falso na realidade e o verdadeiro no cinema”, como bem o resumiu PA. A equção é simples: AP é genial porque é de PA

Zé Cafofinho e o novo Mangue na Ilustrada hoje

Sob o sol do Recife

Quinze anos depois do nascimento do mangue beat, artistas radicalizam propostas do movimento pernambucano

Léo Caldas/Folha Imagem
 

Da esq. para a dir., o músico Zé Cafofinho, o cineasta Gabriel Mascaro, a cantora Catarina Dee Jah e o também diretor Tião

FERNANDA MENA
ENVIADA ESPECIAL A RECIFE (PE)

A imagem-símbolo de uma antena parabólica enfiada na lama tinha contornos de utopia quando lançada no manifesto “Caranguejos com Cérebro”, documento fundador do mangue beat, em 1992.
Num tempo em que internet era privilégio de poucos, a conexão do mangue com o mundo criou uma identidade contemporânea cultural para Recife no ritmo da linha discada.
Era a combinação das tradições pernambucanas, na música, com cultura pop e hip hop, e, no cinema, com os rituais legitimadores do eixo Rio-São Paulo. Ainda assim, era uma novidade radical o suficiente para reverberar até fora do país e transformar a capital pernambucana em polo cultural.
Duas gerações e incontáveis gigabytes de informação depois, aquela alegoria se mostra profética. Descompromissada da afirmação da “pernambucanidade”, uma nova geração de músicos e cineastas -em geral, com menos de 30 anos- faz um elogio ao pluralismo. Bebem tanto no crescimento caótico da metrópole quanto em filmes coreanos que talvez nunca estreiem no Brasil. E promovem uma nova antropofagia global quase instantânea, na velocidade da banda larga.
Os saltos tecnológicos da última década são a força motriz da evolução na produção dos artistas de agora, na opinião de Renato L., 46, um dos mentores do mangue beat e hoje secretário de Cultura do Recife.
“Não acho que exista contraponto mas desdobramento. Cineastas como Lírio Ferreira e Cláudio Assis eram muito bem informados. Chico Science fazia sampler do The Fall”, lembra. “Só que isso hoje acontece num grau mais exacerbado, pela capacidade dos artistas tanto de digerir informações como de disseminar seus trabalhos.”
A sintonia da nova geração é com um “modus operandi” típico do mundo globalizado: produção simplificada e divulgação em redes, pulverizada.
Trata-se de uma escolha em termos. O discurso que contesta os meios de produção tradicionais ecoa no limite de recursos do fomento público.
Desde 2007, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) ampliou em 200% os recursos para produções independentes. Hoje, conta com orçamento de R$ 6 milhões apenas para a produção audiovisual. “Antes, o fomento era individual. Quem tinha acesso ao poder é que tinha fomento”, diz Luciana Azevedo, 53, presidente da Fundarpe. “Hoje, os recursos estão alocados majoritariamente em editais, democratizando o acesso a eles”, discursa.
A parabólica na lama ligava, ponto a ponto, Recife a só um outro lugar. No mundo da internet sem fio, todas as conexões podem levar a Recife; e levar Recife a todo lugar.

Sem maracatu, cena musical se renova

Novas bandas oscilam entre o antagonismo direto ao mangue beat e a reinvenção de ritmos populares como o brega

Numa via de mão dupla, grupos fazem releitura de sons globais sem sair de Recife e buscam concretizar carreiras internacionais

DA ENVIADA ESPECIAL A RECIFE

Quinze anos depois do lançamento de “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, a cena musical do Recife está mais para o caos de múltiplas influências trazidas pela web do que para lama do mangue onde brotaram os ritmos tradicionais pernambucanos.
Artistas como Zé Cafofinho e Suas Correntes radicalizaram a pregação do mangue beat ao misturar Caribe, samba, sertão e África. A maioria dos grupos, no entanto, prefere evitar o movimento como referência.
“Depois do mangue beat, maracatu virou aeróbica. Está em todo lugar”, polemiza a cantora Catarina Dee Jah, 31, ironizando o que se tornou um clichê pernambucano. “Preferi beber no brega, que para mim é a verdadeira MPB, a música do povo. Ela nasce no cotovelo, passa pelo coração e sai pela boca, sem passar pela cabeça”, diz ela, que criou uma mistura divertida e satírica de rock com batidas de dub e brega.

De dentro para fora
No outro extremo do rompimento com a herança do mangue beat estão bandas que cantam em inglês e que poderiam ter surgido tanto em Recife quanto no interior da Inglaterra -o que, aliás, seria um adianto pra eles. O Sweet Fanny Adams, que faz indie rock à Strokes, é uma delas. Depois de tocar no CMJ, festival independente de Nova York, em outubro passado, a banda vai gravar o primeiro CD fora do Brasil.
“Aqui não tem estúdio bom”, dispara o guitarrista Hélder Bezerra, 26. “Estamos fora dessa cena de influências regionais. Nossa cena é rock. E, nesse sentido, complica um pouco estar em Recife. Nosso foco é numa carreira fora do país.”
Para grupos que reverberam os ecos do mangue beat ao beber em fontes tradicionais, estar em Recife é bom, mas estar no mundo é muito melhor.
É isso o que comemora a Orquestra Contemporânea de Olinda. Em menos de três anos de vida, teve o disco indicado ao Grammy Latino 2009, ganhou resenha elogiosa no “New York Times” e se prepara para uma turnê nos EUA em março.

De fora para dentro
Um grupo de jovens produtores foi combustível da atual cena de música. Ao criar o festival Coquetel Molotov, que levou ao Recife shows de bandas internacionais como Beirut (EUA) e Peter, Björn & John (Suécia), gerou novas influências. É o caso da Banda de Joseph Tourton, grupo de garotos de 18 anos que faz pós-rock instrumental com cara de Tortoise -o grupo tocou em Recife numa das edições do evento.
(FERNANDA MENA)

Olho no Lance: 2010 tá fervendo!

2009 foi um ano torto. Tudo aconteceu na vida do palhaço. Vida e morte; Pai e Filha. Um selo novo com Ceumar é honra pra mais de metro. Um projeto inédito que fez rodar o Lo Cor de La Rosa foi prazer sem fim. O Di Freitas lançou seu Alumioso fazendo brilhar mais uma vez “a voz mais afinada do planeta” da Juliana Amaral. Conheci “o maior compositor da atualidade” – modéstia não é o meu forte – paulistana, Kiko Dinucci, que faz canções lindas pra Juçara Marçal cantar. E o ano acabou com encontro inédito do Tatit, Wisnik e Nestrovski que me deixou com muito gosto de “quero mais”. “A Gente é Feito pra Acabar
Acabo de receber o disco novo do Zé Cafofinho e Suas Correntes, Dança da Noite. É melhor que o primeiro Um pé na meia outro de fora (2007). Dança da Noite já saiu com gente dizendo que está entre os melhores de 2010
Com o Cafofinho a gente começa o ano. Com mais pernambuco a gente vai de Quinteto Violado. 2010 tem meu centenário coringão. Tem Kiko Na Boca dos Outros. Tem Juliana Amaral à beira de um disco novo. A Cricus Produções Fonofráficas pode se abastecer. Ceumar celebra os 10 anos do lançamento do “Dindinha”. Quanta coisa pra se fazer no ano da Copa na África dos Kholwa Brothers. Quanta pedra que ainda não vai rolar no ano da escolha de presidente do Brasil? Quanta gente jovem há por vir por aqui?
A Circus também tá a fim de acolher sob essas surradas lonas um teatro musical, quem sabe… um teatro político, por que não? uma dança contemporânea pra sacudir nossas estruturas… mas música, mais muita música pra cabeça melhorar. “Lenha na quentura até ferver esse verão que mora em mim”. É nóis, Saravá!