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Kiko Dinuci em Dose Dupla

Alô, alô,

Kiko Dinucci tem comichão. Ele não assossega. Toca na quinta com a talentosa compositora, cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão na Casa De Francisca. E na sexta, o forrobodó é completo no lançamento do “Na Boca dos Outros”, no Sesc Pompéia.

Vou nas duas doses

www.myspace.com/kikodinucci

Dia 2 de fevereiro! Dia de Iemanja

Recebi esse convite da Juçara Marçal e procurei pela wikipédias da rede e a explicação menos confusa pro meu cabeção foi essa: Iemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja, é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” (“Mãe cujos filhos são peixes”), identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá. Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de “sincretismo” encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais “manifestações pagãs” em suas propriedades. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a “Janaína do Mar” e como canções litúrgicas

Ok, Janaína! Com Juçara e Jonathan. Na casa de Francisca



O Poeta Washington Moraes Blogado

Cada blogada com um suspiro de inteligência vinda da minha Mococa enche esse palhaço aqui de orugulho! E o que dizer, quando vem de lá, sopro de genialidade?

O orgulho escorre aos litros!

Graças à iniciativa de Maycon Alves (historiador), Getulio Cardozo (poeta), Paulo José Vieira (poeta) e Gustavo Leonardi (músico), podemos conhecer um pouco do poeta Washington Moraes.

foto: Diário de Mococa On Line

O Blogue se chama 256 Fundos, e a partir de hoje, habita nosso picadeiro.

Tanto o Flaitt como o Getúlio me sopravam preciosidades do poeta. Antes deles, minha curiosidade foi despertada pelo meu amigo Marcus Vinícius de Moraes. O Marquinhos, meu companheiro de volei no Girafa desde 1987, me dizia que o Washington era tio dele. E falava que o cara era “o poeta” de Mococa.

Depois me lembro que ele foi parceiro do samba enredo Macunaíma (1988) do Vira-Virô (ao lado do Kico Zamarian e Elenir, talvez) . Eu acho aquele samba dificílimo e maravilhoso. “Hoje Aqui Nessa Avenida/Vamos Cantar Macunaíma/ O Grande Mal dessa Vida/ Cantê-mo-lo em Prosa e Rima”

Enfim, um canto pra coisas do poeta. Grande iniciativa dos comunistas! Os comunistas de Mococa estão com tudo! Alguém precisa fazer contraponto pra cidade que tucanou até as pontes do Ribeirão do Meio… além de ter dado quase 80% dos votos pra Geraldo Alkimin… Como diz o Flaitt: Jezebéu!

Circus Mundi – Pra Gringo aplaudir

Alguns artistas que são representados pela Circus andam bagunçando pelo mundo à fora. A Renata Rosa, que sai todo ano em turnês pela França e arredores, fez um espetáculo inesquecível no Theatre de Ville, no final de 2009, ao lado dos inseparáveis Pepê, Lucas dos Prazeres, Hugo Linns e Aninha Araújo + as índias da aldeia Kariri Xocó, donde Renata conviveu a aprendeu seus cantos bonitos.

A novidade foi dar em Paris… olha essa foto no Metrô de Paris!

Renata e a a Cia Pina Bauch dividindo as atrações do teatro.

A carreira da Renata Rosa fora do Brasil é conduzida pela Outro Brasil.

O Melhor de Sampa – Especial Racionais MC’s na SescTV!

Recebi da amiga Camila que no dia do aniversário da cidade de São Paulo, será exbido na SescTv, o show do Racionais MC’s gravado em agosto do ano passado no Sesc Santo André. Uma hora de imagens caprichadas, sucessos antigos e músicas inéditas.

O especial é mais especial porque mostra pras outras cidades que o hip hop é mais forte que o concreto frio da cidade

Pra esquentar, um teaser:
http://www.vimeo.com/groups/31504/videos/8267170
E algumas fotos do show, feitas pela Camila Miranda, no flickr dela:
http://www.flickr.com/photos/camilamiranda

Mococa pode ter mais uma barbárie arquitetônica

Me lembro que em 1995, quando fui presidente da UMU, realizamos um debate sobre verticalização e Plano Diretor na cidade de Mococa com a presença de Ricardo Moretti, do Isntituto de Pesquisas Tecnológicas. Não havia Plano Diretor na época. Mococa é a cidade que tem um belo patrimônio de arquitetura néo-clássica, e que, ao mesmo tempo, já permitiu aberrações como um prédio denominado Marmitão no meio das casas coloniais. O Renato Granito mandou um email alertando pra mais um perigo. Desa vez, uma demolição do antigo Hotel Brasil. Sem querer ser pessimista, o que a população pode fazer nesse caso, se há poucos anos, tivemos que assistir a desocupação do Museu de Artes Plásticas do prédio original cedendo-o para a Câmara dos Vereadores? O próprio poder público tomou a iniciativa! Nunca um livro fez tanto sentido na minha cabeça como o de Marshall Berman: Tudo que é sólido desmancha no ar – A Aventura da Modernidade

PATRIMÔNIO AMEAÇADO: DEMOLIÇÃO DO HOTEL BRASIL

 

“Há de se reverenciar e defender especialmente as capelinhas toscas” (ANDRADE, Mario).

A compreensão do progresso esta motivada no delíquio da nossa sociedade como progenitor do desenvolvimento, depreciando o passado por meio do esquecimento das tradições, e a demolição de artefatos históricos, tais como: construções e objetos de valores culturais. A valorização e a conscientização da memória são de extrema magnitude para a permanência e a resistência de resquícios da nossa história, ou seja, o Patrimônio Histórico Artístico e Cultural. Deste modo o educando ao se contextualizar sobre a importância destes bens para a compreensão do seu passado, por conseguinte torna-se um agente ativo no propósito da manutenção e preservação da sua história, cabendo ao educador lhe instigar cada vez mais para conseguir transformar a mentalidade de uma sociedade com vícios tecnológicos.

O Hotel Brasil erguido no século XIX devido ao grande fluxo financeiro proveniente da alta expansão cafeeira no município de Mococa foi construído pelo então João Vita, genro do fazendeiro José de Souza Dias um dos fundadores de São João da Fortaleza (Arceburgo). A construção imponente tem características neoclássicas, porões altos, e ultimamente estava em estado de deteriorização.

http://www.diariodemococa.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=1720

100 anos é um bocado

Aqui pros tresouquarto, digo logo que esse ano eu já prometi tentar conter minha torcida nas eleições. Mas em compensação, tem 100 anos do Corinthians. E 100 anos não são 100 dias. É tempo pacas.

Ontem eu fui no Paca. Ver Timão e Braga. Foi um sofrimento só

Cheguei a fim de comprar ingresso do cambista pra ir no Tobogã. Mais barato. Consegui um ingresso de 50 paus na arquibancada central. O preço original é 70 e eu comprei por 50 porque os cambistas compram a 35, preço de estudante.

Eu sou Fiel Toredor – plano que o Corinthians fez pra estorquir a gente que é idiota apaixonado. O torcedor Fiel Meu Amor, esse que sou sócio, custa uma fortuna por ano – tenho até vergonhe de falar – e e você só compra ingresso (o mais caro) pela internet alguns dias antes do jogo.

Eu que trabalho feito burro velho só sei se posso ir no jogo duas horinhas antes. Então, pratico esse crime e compro do cambista, às vezes.

Mas vamos ao jogo: A torcida foi linda. Cantou como nunca. Quando desabou a tempestade, a torcida intensificou o canto e foi demais. Não deu pra lavar a alma porque o jogo foi ruim, mas esfriei o cabeção que ensopou por inteiro.

O jogo foi uma bosta. Tô com muito medo do que o Ronaldo vai fazer esse ano. Ontem foi constrangedor ver o cara se arrastando hipopoticamente no gramado. Mas fazer qualquer previsão contra o Ronaldo é arriscado demais. E eu aposto nisso. Outra surpreendente “volta por cima”.

Mas o o primeiro jogo de centenário foi de uma torcida não de um time.

A patroa Nasolanda

A Ceumar mandou pra gente o flyer (voador) – como se escreve voador em holandês? – da próxima apresentação dela em Amsterdam:

lieve vrienden!
 
CEUMAR -special gast in de BADCUYP, VOCAL SESSION 
Amsterdam, dinsdag – 21:00
nesta terça -19 de janeiro – a partir  das 21:00.
Met Mark Zandveld en trio + Olaf Keus – drums !
 
……BADCUYP……………
 
de volgende concert in Mart : Seabottom Jazz Festival em Lelystad!
met Mike del Ferro, Olaf Keus en Frans van der Hoeven!
 
beijos CEUMAR
 

O Rock In Rio pelo jornalista Flávio Gomes

Então foi assim. 1984, começo, talvez meio do ano. Compramos ingressos para o Rock in Rio. É bom que se explique. Comprava-se por telefone, creio. Não. Posso estar redondamente enganado, mas não era por telefone, não. Era uma agência do Banco Nacional na rua Domingos de Morais. Uma agência que se parecia com os boxes de Jacarepaguá. Será que estou sonhando?

Eu tinha talão de cheque, já. Do Bamerindus. Minha primeira conta. Bamerindus, agência em São Caetano do Sul, ao lado de um dos portões da GM. Eu era loucamente apaixonado pela moça do caixa. Ela tinha olhos verdes e cabelos lisos castanhos. Pele morena, talvez dourada. Sempre pegava a mesma fila. Minha primeira conta bancária. 19 anos de idade. O primeiro cheque eu passei na rua. Perto do Mercado Municipal. Um cara vendia guias de ruas de São Paulo. Estacionei o carro e fiz o cheque no capô do meu Gol LS. Disso eu lembro bem. Do primeiro cheque.

Ela era linda, a moça do caixa. Só a via da cintura para cima, atrás da máquina de autenticar. Aí descobri que se ela fosse ao fichário consultar minha assinatura, ficaria de pé. E a via de costas. Às vezes, de calça branca. Linda. Descontava meus próprios cheques para vê-la de pé.

Casei-me com ela várias vezes, ao me deitar. Imaginava uma pequena casa geminada, talvez lá mesmo no ABC, onde ela devia morar. Ela devia ter um nome no crachá. Disso não me lembro.

1984. Eu estava na faculdade e tinha 20 anos. Rock in Rio. Vamos? Vamos. Juntei o dinheiro do salário que ganhava do meu pai por tocar a empresa de água mineral na rua Piauí. Odiava aquilo. De noite, fazia faculdade. De tarde, escrevia para um jornal. Saía de São Caetano para a faculdade, passava no jornal, no Centro, e chegava atrasado às aulas, carregando laudas que comprovavam meu sucesso como jornalista. Não ganhava nada no jornal.

Vamos? Vamos. Compramos os ingressos. Sim, foi na agência do Banco Nacional. Acho que foi. Venha buscar em não-sei-quantos dias. Fui buscar no dia que sabia quantos eram. Vieram num envelope. Eu já trabalhava, não podia ir a todos os shows. Os três primeiros dias e os três últimos. Algo assim.

No envelope, um adesivo. EU VOU. Colei no vidro do Gol, que tinha também um escudo do meu time e um adesivo da rádio Cidade, prateado. 96,9. Era a rádio que eu escutava no meu Rio de Janeiro com equalizador Tojo.

EU VOU. Motivo de enorme orgulho, porque ia mesmo. Aí, no fim do ano, comecei a namorar. Ela não queria que eu fosse, mas fui. Eu sou assim, faço muitas coisas que não querem que eu faça.

Fomos numa Caravan, rebocando duas motos. Uma DT 180 e uma CG 125, esta do meu tio. Ficamos em Ipanema, no apartamento da tia de um de nós. Éramos quatro, duas motos. Eu dirigia uma, com um de nós na garupa.

Não tínhamos grana. Mas tínhamos cheques. Os meus, do Bamerindus. Os de um de nós, do Banco Real. Passávamos cheques. Comprávamos camisetas, Malt 90 e Bob’s burgers. Deitávamos na lama para ouvir quem estivesse lá.

Éramos 300 mil no primeiro dia, disseram. 300 mil. Puta que pariu. 300 mil. Na lama, tomando Malt 90. Ney Matogrosso abriu o festival. Nosso Woodstock. Vaias. Ele nem aí, quase nu, abrindo os braços para a multidão. Havia metaleiros por todos os lados, porque era noite também de Whitesnake e Iron Maiden. Mas antes teve Erasmo Carlos, Pepeu Gomes e Baby Consuelo. Quem mais imaginaria juntar Baby Consuelo e Iron Maiden na mesma noite? Eu olhava tudo encantado, como se não fizesse parte daquilo tudo. Nunca me senti fazendo parte de nada. É assim até hoje. Não sou parte de nada para ninguém.

E para fechar, Queen. Quando veio “Love of my Life”, eu já tinha me perdido dos outros. E por alguma razão, fiquei chorando na chuva e na lama. Eu só tinha 20 anos e era eu quem estava cantando, ninguém mais, para 300 mil pessoas.

Minhas lembranças são muito dispersas. Acho que vi James Taylor e Rod Stewart. B52s, com certeza, Blitz também. E Paralamas, quem são esses caras? Um deles usava óculos, era tímido, mas cantava pra caralho. Lembro de Scorpions e de Yes, fechando o festival. Eu tinha uma mochila azul emborrachada. No último dia, comprei um adesivo escrito EU FUI.

11 a 20 de janeiro de 1985, foram os dez dias do Rock in Rio. Acho que estive em seis deles. Tivemos de voltar no meio da semana para trabalhar, éramos todos rapazes responsáveis, que bebiam muito, mas não fumavam maconha, nem cheiravam cocaína. Éramos medrosos e caipiras. Eu era um garoto de 20 anos que nada sabia de nada. Mas que chorou ao ouvir “Love of my Life”. Talvez eu soubesse de tudo.

Quando eu era pequeno, perguntei ao professor de religião quantos anos a gente iria viver. Ele disse que 100 anos. Era mentira, poucos vivem 100 anos, mas me fiei no mestre e 100 anos passou a ser minha ideia de vida. Daquele Rock in Rio, passaram-se 25, um quarto. Some-se os 20 que tinha, estou quase na metade, e é claro que não chegarei aos 100 anos, em que pese a convicção do professor de religião, assim já se foi a metade, ou mais.

Não contei para a menina do caixa do Bamerindus que a amava e que queria viver com ela numa casinha geminada. Acho que não fiz grande coisa até agora.

Flavio Gomes: É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69

Tuítadas desconexas

  • Apaixonado por Sampa: As barraquinhas ambulantes de frutas nas esquinas é a melhor coisa q essa cidade já inventou. Mas Kassab proíbe, claro
  • Marcelo Rubens Paiva comentou sobre a direita camuflada no Brasil (e a morte de Erasmo Dias)  - Leia Aqui
  • Blog Nova Iorquino coloca o disco novo de Kiko Dinucci (Na Boca dos Outros) entre os melhores de 2009. Eu já sabia!
  • [Retuitado do NUBLU] – Otto picked best international record (#1) on Chicago Reader
  • [Retuitado do Observatótio da Imprensa - sobre Direitos Humanos] – O Macaco não soube esconder o Rabo
  • Pra quem é de Mococa. Viva Getúlio Cardozo – Do Diário de Mococa
  • O Fundão tem o samba enredo de 2010 - Nosso carnaval tá garantido -

100 anos de Adoniran na Casa de Francisca

A Casa de Francisca está se notabilizando pelo rigor de belezura que vem mantendo na sua programação. Em 2010, Ruben e Cia já chegaram arrombando a maloca e realizando uma semana certeira em homenagem ao centenário Adoniran. E não é que ele é centenário como o meu timão!

Claro que não poderia faltar o Kiko Dinucci, que além de ser o compositor mais legal dessa terra de enchentes (ô, saudade da garoa) também fez esse cartaz bacanudo!

Ô SEU BARBOSA! 100 ANOS DE ADONIRAN
de 21 a 27 de JANEIRO de 2010

Nascido em 1910, em Valinhos-SP, João Rubinato, que ficou conhecido como Adoniran Barbosa, foi um dos artistas mais versáteis do século XX. Adoniran mudou-se logo para a capital paulista, e lá trabalhou como humorista, ator e radialista, mas foi como compositor que se tornou imortal. Suas músicas eram verdadeiras crônicas sobre os bairros paulistanos e a vida dos moradores da cidade. Geralmente bem-humoradas, muitas dessas narrativas ficaram conhecidas em todo o Brasil.

MAURICIO PEREIRA
quinta [21/01] 21h30_ R$26
Acompanhado por Daniel Szafran ao piano, Mauricio faz uma versão radicalmente paulistana do seu show Mergulhar na Surpresa. Totalmente cantado e apresentado em idioma local, o roteiro traz, além de Adoniran cantado com sabor pop, outras sonoridades típicas da cidade, como Ira!, Incríveis, Mamonas, Kid Vinil, Joelho, Vanzolini. Sotaque e pegada, como manda o figurino.

WANDI DORATIOTTO E DANILO MORAES
sexta [22/01] 22h30_ R$26
O show “Vida Rouca” apresenta algumas das grandes canções do mestre do samba paulista e destaca sua habilidade como humorista, condição que permeou toda a sua atuação como músico e ator. No espetáculo os músicos também apresentarão músicas de outros compositores que tiveram grande influencia do homenageado.

PASSOCA canta inéditos de ADONIRAN
sábado [23/01] 22h30_ R$26
O Sr. Juvenal Fernandes, que durante anos conviveu quase que diariamente com Adoniran, e com a autorização da viúva, convidou parceiros para colocar melodias em parte de letras inéditas do compositor. Entre eles Passoca, que selecionou algumas parcerias de acordo com suas características vocais e interpretativas. Neste show, Passoca (voz e tamborim), Thomas Howard (violão de 7 cordas) e Alê Ribeiro (clarinete) apresentam além das composições inéditas, alguns clássicos de Adoniran como Saudosa Maloca, Iracema, Bom Dia Tristeza, As Mariposa entre outras.

PAULO VANZOLINI
dom/seg [24 e 25] 21h30_ R$53
Um dos grandes nomes da música brasileira, o compositor e cientista Paulo Vanzolini faz duas únicas apresentações, como parte das comemorações dos 100 anos de Adoniran Barbosa. Ao lado da cantora Ana Bernardo, Vanzolini conversa com o público, revela histórias curiosas e apresenta sambas como “Seu Barbosa”, que compôs em homenagem ao amigo compositor.

ROBERTO SERESTEIRO
terça [26/01] 21h30_ R$19
Roberto Seresteiro apresenta os sambas de Adoniran Barbosa ao lado de Lucas Arantes (cavaco), João Camarero (violão e cordas) e Alfredo Castro (percussão) levando o público para o contexto em que as músicas foram criadas. Uma apresentação despretensiosa que homenageia a memória um dos maiores nomes da cultura e da produção artística de São Paulo.

KIKO DINUCCI
quarta [27/01] 21h30_ R$19
Kiko Dinucci apresenta sambas de sua autoria influenciados por Adoniran Barbosa. Além de suas composições e do mestre Adoniran, Kiko aponta no repertório os ecos da obra do compositor paulista no cancioneiro urbano de São Paulo.
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Conheça o cardápio de alimentos e bebidas artesanais_
Serviço somente antes e depois das apresentações!
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Casa de Francisca
Rua José Maria Lisboa 190, travessa da Brigadeiro Luís Antônio
T 11 3052 0547
reservas@casadefrancisca.art.br
www.casadefrancisca.art.br
terça a domingo das 20h a 1h

De que lado você samba?

O governo Lula caminha numa corda “bomba”. Prestes a explodir. Durante todo mandato. Bamba é o Presidente Lula que se comunica com a população brasileira sem interlocutores e permite ao Brasil avançar em vários setores.

O Plano Nacional de Direitos Humanos mostra o quanto o governo Lula tem de contraditório dentro dos  próprios ministérios. E revela o ministro da defesa contra o ministro de direitos humanos; o da agricultura contra o ministro da reforma agrária… Para cada progressista tem um reacionário de plantão.

Qual é a dificuldade do brasileiro saber a história do Brasil? Eu imagino horrores do recém-finado, Erasmo Dias, e talvez, ele nem tenha sido tão filho da puta assim. Então, mostra tua cara, Brasil! Ou será que ele foi muito mais truculento do que se imagina?

Percebe? Os próprios Militares de bem deveriam defender a história .

E se de um lado, o governo tem dentro do próprio governo posições contraditórias de pensamento, por outro lado, a grande imprensa parece uníssona na defesa do status quo.

O que mais me intriga são os setores que defendem o PNDH se equivocando, a meu ver, ao querer convencer os setores mais tradicionais da imprensa e da sociedade de que o PNHD não é invenção do Lula nem da esquerda do Brasil.

O que eu mais tenho visto – mesmo pelos jornalistas que defendem o PNHD – é querer amenizar a proposta do Ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, dizendo que a proposta é oriunda do governo FHC (Ouça o depoimento do  Paulo Sergio Pinheiro, ex-Secretário Especial dos Direitos Humanos de FHC). FHC foi o governo que concebeu inicialmente a transposição de águas do Rio São Francisco mas não teve o ímpeto de colocar em prática. Também criou o Bolsa Família mas tinha vergonha de desenvolvê-lo. Pensou em abrir os arquivos da Ditadura mas não teve peito para enfrentar a caretice daqueles que o sustentaram. Teve, entretanto, a astúcia – sejamos comedidos -  de mudar a Constituição em benefício próprio criando a reeleição.

Ora, o debate tem que ser colocado para a população. Como disse Marcelo Salles na Caros Amigos, ”a Constituição Federal, por exemplo, considera que a prática da tortura não pode ser objeto de graça ou anistia. Tratados internacionais estabelecem que crimes de lesa-humanidade, como a tortura, são imprescritíveis. Comissões de Verdade funcionaram ou funcionam muito bem em outros países, e isto é sistematicamente escondido por meios de comunicação”.

Alegar a Lei de Anistia para encobrir a verdade é como pedir pra quem apanhou esquecer da briga. Mais ou menos assim: Hoje eu vou te dar uma surra mais amanhã a gente esquece, tá?

Como o Presidente LULA vai encarar esse desafio de entrar para a história como o único presidente com coragem suficiente de devolver parte da história do nosso país à nossa população?

Se eu pudesse falar com o Lula eu diria: Vai, Lulão, esses 80% de aprovação são ilusórios. Usa uma sobrinha disso e dá tua cara pra bater, vai!

E você, de que lado você quer sambar?

Em Busca Do Nirvana

Samba Enredo da Escola de Samba do Fundão 2010
Composição: Paulo Aliende

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“Em Busca Do Nirvana”

Raiou e despontou no céu a luz do dia,
Na linha do horizonte, na terra do sol nascente,
Clarão que ilumina o meu carnaval,
Visão nesta viagem transcendental,
Em busca do Nirvana, todos a bordo minha gente,
Vamos voar em direção ao oriente.

A vida vive me dizendo, pra eu me orientar,
Pensei e cheguei à conclusão, orientar não é ocidentar,
Então vou viver a experiência, deixar o oriente me levar,
E encontrar meu yin yang e assim me equilibrar,
Lá no mar da sabedoria, pra nas ondas da paz eu navegar.

Filosofia ô filosofia, agora eu tenho uma pra valer,
Que harmonia ô quanta harmonia, dentro do “ser”,
É praticar o bem e não fazer o mal, é controlar a mente e relaxar,
Viver num mundo zen é sempre um ritual pra felicidade emanar.

Tudo começou na Índia, com Sidharta o grande mestre,
Que encontrou uma saída para a vida melhorar,
Sua filosofia se espalhou, por toda essa cultura milenar,
Da China ao Japão tudo mudou,
Neste longo aprendizado, pra minimizar a dor,
Agora, é o Fundão, que se enveredou,
E brilha na avenida com essa mensagem de amor,
Paz, serenidade e prosperidade,
Se quem semeia vento, colhe tempestade,
Por onde passo, eu só faço amizade

Essa é e sempre foi e será a minha filosofia,
Lavo minha alma nesse banho de alegria!

2010 chegou CHEGANDO

E chovendo muito e desolando as encostas e periferias. Que “judieira” o oásis que era São Luiz do Paraitinga…

2010 chegou me trazendo intimamente uma sensação de descaso com meus tresouquatro. Poucas blogadas que tenho dado.

Tenho que confessar aqui: Estou apaixonado pelo Twitter. Sabe aquela “mina” que tu nunca deu bola e de repente ela tá ali, linda, toda procê? Deita e rola, amigo! É assim que eu tô no Twitter.

Embora esteja só no “papai-mamãe” – eu não domino sequer as técnicas mínimas de “retuitar” ou mandar um tuíter só pra um nego específico – saboreio com demasiado entusiasmo cada “tuítada” que dou.

Confesso que luto ardorosamente para obter novos seguidores. Eu queria ter um milhão de amigos pra bem mais forte eu poder tuitar. Mas não há meios de elevar os seguidores.

Quando ele dá uma subidinha eu caio na tentação de falar de política, blasfemear o Deus do STF, “jogar bosta na Geni” - a defesa pela Comissão da Verdade para saber a verdadeira história contra os toruradores da Ditadura do meu país me rendeu umas baixas – e pronto. Perco seguidor.

Tem problema não. 2010 eu contrariarei os marqueteiros e utilizarei o futuro do presente sem aminizar nas conjunções verbais. Arriscarei a dar minha opinião política embora já tenha até estudiosos de “cases” na família que me esconjuram porque não deveria me expor tanto.

Não tem jeito. Cada blogada ou tuitada que dou é como um oaristo que eu beberico com a  amada debaixo do edredon ou como um papo-furado de fim de ano delícia com meus familiares no terraço da casa da mãe. Vem com tudo. Com palavrão, erro de português, gritado e parlado com as mãos balançando italianicamente.

O Daniel Dantas continua mandando e desmandando no Brasil e o Lula – ai, que vergonha do Lula – não desmascara um montão de canalha. Por que não usa essa popularidada no fim do mandato? Por que não enquadra os ministros Helio Costa e Nelson Jobim? Outros se desmoralizam por si. Não resitem há um off de intervalo sequer. O que dizer do Boris?

2010 começa com muita espectativa de um ano bom. Com bastante trabalho e que a gente tenha oportunidade de usar bastante brecha para consguir nossos objetivos.

Sem as brechas é agua mole em pedra dura

Hanami – Cerejeiras Em Flor

Não é possível que eu nunca vi nada da diretora desse filme. HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR, de Doris Dörie. O filme tem no elenco também todos atores que eu nunca tinha ouvido falar: Elmar Wepper, Hannelore Elsner e Ay Irizuki. Somente o bailarino de Butô, coreógrafo e diretor do “Mamu Butoh Center”, Tadashi Endo, que faz uma ponta no filme e que os paulistanos já puderem vê-lo fazer apresentações no SESC Belenzinho

O filme é belo, delicado e conegue se manter longe da pieguice o tempo todo. Uma doença grave do marido que a eposa omite.   Os médicos e a esposa que estimulam o marido a aproveitar o pouco tempo que lhe resta. A desilusão dos pais com os filhos. A grande surpresa da vida – a morte da esposa – lança o marido ao reencontro da vida da sua grande companheira e revela o quanto a vida pode ser doce.

Butô, os mistérios que a morte provoca, a velhice, a solidão, os conflitos entre gerações de pais e filhos, o Japão e a cultura de lá.

“Se oriente rapaz,  e considere possibilidade de ir pro Japão”

HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR não combinava com o dia de hoje. A notícia terrível da manhã de que um colega de carnaval morreu brutalmente assassinado na “pacata” e “bucólica” Mococa.

Deixei o cinema com um desejo sufocado de que a vida vale a pena… Mas chega-se em casa e as multas e os impostos do Kassab te devolvem o sangue nos olhos.

Abraços Partidos para um Feliz AnoVelho

2009 foi um ano corrido e eu quase não vi nada no cinema. Eu não podia terminar 2009 com tanta desesperança no meu coração… Por isso fui assistir Almodóvar. Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos). O Filme tem Penélope Cruz, Lluís Homar, nos papéis principais.

Hay que hablarmos una cosita: A Penélope Cruz teria atingido o auge da beleza em Vick Cristina Barcelona do Woody Allen PERO NO: Ela tá mais bonita ainda em Abraços Partidos. E alguma lei internacional decretada pelo mais temido dos ditadores, capaz de detonar o mundo com certeiras doses de bombas atômicas, com um nome bem complicado, do tipo Mahmoud Ahmadinejad deveria dizer: Caput do único artigo: “Depois do Banderas ter se vendido, a Penelope Cruz está obrigada a não participar de nenhum filme que não tenha direção do Almodóvar”. (Tem que ser um decreto ditatorial porque acordos não são respeitados pelos EUA).

Volvendo a película, Almodóvar me faz acreditar que o mundo tem jeito. Não importa se é de mentirinha. A ilusão também é redenção. O cinesta que não vê também faz milagre. Viver de (falsa) memória também alimenta a alma.

Penélope (Cruz) e Lluis (Homar) assistem na TV a uma cena de Viaggio in Italia, de Rossellini,com George Sanders e Ingrid Bergman assistindo à exumação do casal que morreu abraçado, devorado pela lava do Vesúvio. “Luis acredita, no filme, que estava abraçado com Penélope quando houve o acidente de carro”. Sua memória é falsa, mas muita coisa em Abraços Partidos não é aquilo que parece ser”, disse Alodóva em entrevista recente.

O filme tem uma trama que podia cair no ridículo como o final do filme sabotado dentro do filme, mas quando o cinema tem rédeas, é reggido no melhor sentido italiano, o final é sempre tão belo quanto as imagens personalíssimas do diretor.

Devia ter poupado os tresouquatro e ter colocado logo a excelente crítica do Luiz Zanin Orichio, que eu li logo no lançamento do filme, aqui na Mostra. Assisti ao filme e me lembrava de cada opinião do crítico.

Ufa, achei que nada, nem um otimismozinho sopraria pras bandas daqui. Mas um Almodóvar vale mais que dois ou três filmes que não assisti em 2009.Abraços Partidos não fala somente sobre a paixão do diretor pelo cinema, AP fala de sentimentos, “sobre o falso na realidade e o verdadeiro no cinema”, como bem o resumiu PA. A equção é simples: AP é genial porque é de PA

Zé Cafofinho e o novo Mangue na Ilustrada hoje

Sob o sol do Recife

Quinze anos depois do nascimento do mangue beat, artistas radicalizam propostas do movimento pernambucano

Léo Caldas/Folha Imagem
 

Da esq. para a dir., o músico Zé Cafofinho, o cineasta Gabriel Mascaro, a cantora Catarina Dee Jah e o também diretor Tião

FERNANDA MENA
ENVIADA ESPECIAL A RECIFE (PE)

A imagem-símbolo de uma antena parabólica enfiada na lama tinha contornos de utopia quando lançada no manifesto “Caranguejos com Cérebro”, documento fundador do mangue beat, em 1992.
Num tempo em que internet era privilégio de poucos, a conexão do mangue com o mundo criou uma identidade contemporânea cultural para Recife no ritmo da linha discada.
Era a combinação das tradições pernambucanas, na música, com cultura pop e hip hop, e, no cinema, com os rituais legitimadores do eixo Rio-São Paulo. Ainda assim, era uma novidade radical o suficiente para reverberar até fora do país e transformar a capital pernambucana em polo cultural.
Duas gerações e incontáveis gigabytes de informação depois, aquela alegoria se mostra profética. Descompromissada da afirmação da “pernambucanidade”, uma nova geração de músicos e cineastas -em geral, com menos de 30 anos- faz um elogio ao pluralismo. Bebem tanto no crescimento caótico da metrópole quanto em filmes coreanos que talvez nunca estreiem no Brasil. E promovem uma nova antropofagia global quase instantânea, na velocidade da banda larga.
Os saltos tecnológicos da última década são a força motriz da evolução na produção dos artistas de agora, na opinião de Renato L., 46, um dos mentores do mangue beat e hoje secretário de Cultura do Recife.
“Não acho que exista contraponto mas desdobramento. Cineastas como Lírio Ferreira e Cláudio Assis eram muito bem informados. Chico Science fazia sampler do The Fall”, lembra. “Só que isso hoje acontece num grau mais exacerbado, pela capacidade dos artistas tanto de digerir informações como de disseminar seus trabalhos.”
A sintonia da nova geração é com um “modus operandi” típico do mundo globalizado: produção simplificada e divulgação em redes, pulverizada.
Trata-se de uma escolha em termos. O discurso que contesta os meios de produção tradicionais ecoa no limite de recursos do fomento público.
Desde 2007, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) ampliou em 200% os recursos para produções independentes. Hoje, conta com orçamento de R$ 6 milhões apenas para a produção audiovisual. “Antes, o fomento era individual. Quem tinha acesso ao poder é que tinha fomento”, diz Luciana Azevedo, 53, presidente da Fundarpe. “Hoje, os recursos estão alocados majoritariamente em editais, democratizando o acesso a eles”, discursa.
A parabólica na lama ligava, ponto a ponto, Recife a só um outro lugar. No mundo da internet sem fio, todas as conexões podem levar a Recife; e levar Recife a todo lugar.

Sem maracatu, cena musical se renova

Novas bandas oscilam entre o antagonismo direto ao mangue beat e a reinvenção de ritmos populares como o brega

Numa via de mão dupla, grupos fazem releitura de sons globais sem sair de Recife e buscam concretizar carreiras internacionais

DA ENVIADA ESPECIAL A RECIFE

Quinze anos depois do lançamento de “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, a cena musical do Recife está mais para o caos de múltiplas influências trazidas pela web do que para lama do mangue onde brotaram os ritmos tradicionais pernambucanos.
Artistas como Zé Cafofinho e Suas Correntes radicalizaram a pregação do mangue beat ao misturar Caribe, samba, sertão e África. A maioria dos grupos, no entanto, prefere evitar o movimento como referência.
“Depois do mangue beat, maracatu virou aeróbica. Está em todo lugar”, polemiza a cantora Catarina Dee Jah, 31, ironizando o que se tornou um clichê pernambucano. “Preferi beber no brega, que para mim é a verdadeira MPB, a música do povo. Ela nasce no cotovelo, passa pelo coração e sai pela boca, sem passar pela cabeça”, diz ela, que criou uma mistura divertida e satírica de rock com batidas de dub e brega.

De dentro para fora
No outro extremo do rompimento com a herança do mangue beat estão bandas que cantam em inglês e que poderiam ter surgido tanto em Recife quanto no interior da Inglaterra -o que, aliás, seria um adianto pra eles. O Sweet Fanny Adams, que faz indie rock à Strokes, é uma delas. Depois de tocar no CMJ, festival independente de Nova York, em outubro passado, a banda vai gravar o primeiro CD fora do Brasil.
“Aqui não tem estúdio bom”, dispara o guitarrista Hélder Bezerra, 26. “Estamos fora dessa cena de influências regionais. Nossa cena é rock. E, nesse sentido, complica um pouco estar em Recife. Nosso foco é numa carreira fora do país.”
Para grupos que reverberam os ecos do mangue beat ao beber em fontes tradicionais, estar em Recife é bom, mas estar no mundo é muito melhor.
É isso o que comemora a Orquestra Contemporânea de Olinda. Em menos de três anos de vida, teve o disco indicado ao Grammy Latino 2009, ganhou resenha elogiosa no “New York Times” e se prepara para uma turnê nos EUA em março.

De fora para dentro
Um grupo de jovens produtores foi combustível da atual cena de música. Ao criar o festival Coquetel Molotov, que levou ao Recife shows de bandas internacionais como Beirut (EUA) e Peter, Björn & John (Suécia), gerou novas influências. É o caso da Banda de Joseph Tourton, grupo de garotos de 18 anos que faz pós-rock instrumental com cara de Tortoise -o grupo tocou em Recife numa das edições do evento.
(FERNANDA MENA)

Olho no Lance: 2010 tá fervendo!

2009 foi um ano torto. Tudo aconteceu na vida do palhaço. Vida e morte; Pai e Filha. Um selo novo com Ceumar é honra pra mais de metro. Um projeto inédito que fez rodar o Lo Cor de La Rosa foi prazer sem fim. O Di Freitas lançou seu Alumioso fazendo brilhar mais uma vez “a voz mais afinada do planeta” da Juliana Amaral. Conheci “o maior compositor da atualidade” – modéstia não é o meu forte – paulistana, Kiko Dinucci, que faz canções lindas pra Juçara Marçal cantar. E o ano acabou com encontro inédito do Tatit, Wisnik e Nestrovski que me deixou com muito gosto de “quero mais”. “A Gente é Feito pra Acabar
Acabo de receber o disco novo do Zé Cafofinho e Suas Correntes, Dança da Noite. É melhor que o primeiro Um pé na meia outro de fora (2007). Dança da Noite já saiu com gente dizendo que está entre os melhores de 2010
Com o Cafofinho a gente começa o ano. Com mais pernambuco a gente vai de Quinteto Violado. 2010 tem meu centenário coringão. Tem Kiko Na Boca dos Outros. Tem Juliana Amaral à beira de um disco novo. A Cricus Produções Fonofráficas pode se abastecer. Ceumar celebra os 10 anos do lançamento do “Dindinha”. Quanta coisa pra se fazer no ano da Copa na África dos Kholwa Brothers. Quanta pedra que ainda não vai rolar no ano da escolha de presidente do Brasil? Quanta gente jovem há por vir por aqui?
A Circus também tá a fim de acolher sob essas surradas lonas um teatro musical, quem sabe… um teatro político, por que não? uma dança contemporânea pra sacudir nossas estruturas… mas música, mais muita música pra cabeça melhorar. “Lenha na quentura até ferver esse verão que mora em mim”. É nóis, Saravá!

Simples Cultura – Antes tarde que nunca

Aprovado projeto que reduz alíquota de imposto de renda cobrado de classe artística

Com 51 votos favoráveis, o Plenário acaba de aprovar o chamado “Simples da Cultura”. O projeto de lei complementar, originário da Câmara, do deputado Mendes Thame (PSDB-SP), baixa as alíquotas de imposto cobradas dos produtores e intérpretes musicais, de artes cênicas, visuais, cinematográficas, audiovisuais e literárias, de 18% para até 6%. Com a medida, o setor cultural será incluído no chamado sistema Simples Nacional de tributação.

A matéria obteve relatório favorável da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e já conta, segundo informou o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR) com o apoio do Executivo. Jucá explicou que a iniciativa, por ser de ordem tributária, precisa tornar-se lei ainda neste ano para poder ter efeito já em 2010. Por isso, disse Jucá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar a matéria ainda neste ano. (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

O Samba Sujeira de Kiko Dinucci

Mais uma boa matéria tentando descobriar os segredos de tanta criatividade no samba de Kiko Dinucci. “Sujeira”, a jornalista Bruna Bittencourt desvendou um deles.

O site da “Dada Radio”  disponibilizou o disco novo do Kiko, “Na Boca dos Outros”, com Download em alta qualidade (320 kbps) + capa e ficha técnica.
Lembrando que nesse sábado, o CD todo “Na Boca dos Outros”, fará parte do espetáculo c/ Juçara Marçal e Marcelo Pretto na Casa de Francisca às 22h30.
Segue abaixo a matéria na Folha e o link do disco:
http://www.dadaradio.net/2009/12/17/kiko-dinucci-na-boca-dos-outros/

19/12/2009 – 08h04

Kiko Dinucci faz samba com “sujeira”

BRUNA BITTENCOURT
da Folha de S.Paulo

Kiko Dinucci é um dos fortes nomes de uma nova safra de sambistas paulistas. Mas ele não é exatamente um deles. É um punk que se converteu ao samba, mais voltado às raízes africanas do gênero que ao verniz carioca. “Meu samba é esquisito, tem certa sujeira.”

O músico lançou no começo do mês “Na Boca dos Outros”, seu quarto álbum. No disco, convidou 13 intérpretes, como Fabiana Cozza e Bruno Morais, para cantar sambas compostos e tocados por ele.

Kiko, 32, começou tocando em bandas de heavy metal, que trocou pelo punk. E começou a traçar paralelos do gênero com a música brasileira. Ligava a dissonância de João Gilberto à de Sonic Youth; a amargura, o cantar rouco de Nelson Cavaquinho ao punk. “Ninguém entendeu. Quando vi, estava fora de todas as minhas bandas.”

  Daniel Malva/Folha Imagem  
Musico e compositor Kiko Dinucci, que lança o álbum "Na Boca dos Outros"
Musico e compositor Kiko Dinucci, que lança o álbum “Na Boca dos Outros”

A vitrola passou a tocar Noel Rosa, Pixinguinha, que ele tentava tocar de ouvido. Conta que vem daí seu samba “torto”. “É uma saída que vem da limitação, de não saber tocar daquele jeito e buscar uma alternativa.”
No fim dos anos 90, conheceu o Mutirão do Samba, encontro de samba de raiz em São Paulo. Ali, encontrou Douglas Germano, com quem formou o Duo Moviola.

Mas o saudosismo por vezes exacerbado dos sambistas começou a incomodá-lo. “Tinha uns caras da Mooca com sotaque carioca e se vestindo como malandro dos anos 30″, conta. “Tem grupos em São Paulo que tocam o dito samba de raiz. Só que estão tocando com base na instrumentação dos anos 60, estão copiando. Cartola fazia um negócio diferente para a época dele.”

E Kiko foi tentar fazer o seu, um “negócio paulista”. Em 2004, criou a Banda Afromacarrônico _referência ao samba de São Paulo e à influência africana do gênero, que sempre achou velada no samba brasileiro. O músico foi atrás dessa raiz negra, passou a visitar candomblés para pesquisar sua musicalidade, presente na Afromacarrônico.

A banda, que lançou “Pastiche Nagô” (2008), tocava no Ó do Borogodó (SP). “Ali, o samba é muito próximo [do bairro carioca] da Lapa. O dia do Afromacarrônico era diferente, com sambas, macumbas. Tinha bateria, era muito pesado.”

Em todos os seus projetos musicais, o violão está à frente, dando o ritmo. “Talvez por isso digam que meu samba é estranho, que eu toco baixo, e não violão. Tem gente da época em que eu tocava rock que vai aos shows hoje e fala: ‘Kiko, é a mesma porcaria, você toca do mesmo jeito’”, ri.

NA BOCA DOS OUTROS
Artista: Kiko Dinucci
Gravadora: Desmonta
Quanto: R$ 10 (www.desmonta.com)

Quase tudo o que eu queria ter dito do Dinucci e não consegui…

…Ainda falta dizer que ele traz a macumba pra gente de uma forma nada convencional que me faz crer, praticamente, que eu sou filho de algum santo que ele canta.

Ainda falta dizer que esse dom e esse carisma só podem ter vindo da ancestralidade italiana, afromacarrônica ou coisa que os habitantes da grande são paulo-guarulhos guarda pra gente (vida Lula em São Bernardo)

Chega de conversa mole, Luzia!. O cara que escreveu bem pra caralho e eu aqui querendo pagar de jornalista…

Leia aí, cara pálida

De Cornélio Pires a Kiko Dinucci: a vocação cronística da música de São Paulo

por Rafael Galante

 

Rafael Galante Rafael Galante 

 Empolgado com o novo disco do compositor Kiko Dinucci, que na minha humilde opinião, desponta como o grande nome da nova geração da música paulistana, resolvi escrever essa primeira coluna pensando nas relações entre o passado e o presente da crônica na música da paulicéia (como não poderia deixar de ser, já que se trata de um texto de um músico-historidor. Já peço desculpas aos leitores vanguardistas, mas o passado é a minha mania…).

Gostaria de ressalvar, porém, para que não fujam os ávidos por modernidades, que este texto dedica-se fundamentalmente ao entendimento do contemporâneo, do atual, só que pra isso gostaria de reavivar a memória musical da cidade, tantas vezes relegada ao esquecimento. Acredito assim, estar justamente me alinhando à geração do presente, que não abre mão de manter um pé no passado e outro no futuro.

Agora, deixando de lado os introdutórios para partir para os finalmentes… Convém falar de Cornélio Pires, o homenageado desse texto. Escolhi falar de Cornélio por acreditar que este autor não recebeu e não recebe até hoje todos os louros que lhe são devidos. Nascido na emblemática cidade de Tietê (que compõe com Piracicaba e Capivari o coração da cultura caipira), em 1884, o autor foi sem dúvida um homem muito à frente de seu tempo.

Ele é considerado o “inventor” da música sertaneja, porque foi sem dúvida o primeiro a divulgar nos meios de comunicação de massa da capital paulista a cultura musical do interior do estado.

Desde 1914 o autor circulava fazendo apresentações, até que em 1929 decidiu buscar as gravadoras da capital para gravar um disco de música caipira. As gravadoras cerraram as portas para um gênero que acreditavam que jamais faria sucesso no mundo urbano de São Paulo. Cornélio, então, toma uma decisão inédita pra época, decide gravar seus próprios discos, tornando-se o primeiro músico de selo independente no Brasil. Sua iniciativa resulta num enorme sucesso: a  venda de mais de cinco mil discos de 78 rpm ( o que significa um ótimo faturamento pra época, ainda mais se tratando de um gênero até então desconhecido em disco). Cornélio passa a ser assediado pelas grandes gravadoras e numa atitude profética se mantém como músico independente até o fim da carreira. 

Porém, o que traz Cornélio a esta coluna não é exatamente a sua relação com a música caipira, e sim seu trabalho como cronista. Cornélio é sem dúvida um dos primeiros músicos a tornar a crônica um eixo temático de seu fazer musical, uma rápida olhada em títulos como “anedotas norte-americanas e entre italiano e alemão”, “agitação política em São Paulo e cavando votos”, “a moda da revolução”, “o bonde camarão”, “o Zepelim” e “o Submarino”, deixa claro isso. Entendo que a diferença do tipo de música que aqui chamamos de crônica urbana para as outras seja justamente o fato dela surgir a partir dos conflitos provocados pela modernidade, suas contradições, angústias, traumas, a violência do progresso, ainda que o eu-lírico não seja necessariamente urbano, como no caso das composições de Cornélio. 

É importante frisar que os teatros musicados (existentes desde o século XIX), também conhecidos como teatros de revista, foram fundamentais para a criação de um espaço de opinião pública condizente com uma crônica do cotidiano condimentada com alta carga de ironia e humor. Todos os autores posteriores foram também tributários, de alguma maneira, dessa tradição.

É impressionante pensar como a música de São Paulo é marcada pela crônica da modernidade, isso nos diferencia muito da música do Rio de Janeiro, ainda que essas questões também tenham tido eco por lá. Basta pensar, por exemplo, no nosso símbolo maior: João Rubinato, mais conhecido pelo pseudônimo Adoniran Barbosa. Quase todo o cancioneiro de Adoniran é cortado transversalmente por uma crônica da cidade e do progresso. O humor e a ironia sublimados pela sagacidade de Adoniran já eram a tônica de boa parte da obra de Cornélio Pires, assim como foi de todos os sucessores discípulos de Adoniran, como Paulo Vanzolini, Carlinhos Vergueiro, Eduardo Gudin e, mais recentemente, Itamar Assunção e as músicas do Premeditando o Breque, com “São Paulo São Paulo” e o irresistivelmente irônico verso “É sempre lindo andar na cidade de São Paulo”.

Quando Kiko Dinucci, constrói seu cancioneiro a partir de um vasto repertório aprendido das culturas tradicionais de São Paulo e o transforma em belas crônicas para nos dar mostras de suas angústias que surgem na megalópole paulistana, ele não está apenas demonstrando a criatividade da nova geração e sua capacidade de ler os dilemas contemporâneos, ele está se conectando diretamente a uma vastíssima tradição crítica formada por Cornélio Pires, Adoniran Barbosa e inúmeros outros artistas cronistas que não tiveram seus nomes aqui citados, mas que contribuíram decisivamente na formatação desse fazer musical que é a cara de São Paulo.

Uma crítica (oração) sobre Déa Trancoso

Que saudade de ouvir a Déa Trancoso! De ouvir, não. saudade de vê-la ao vivo. Por que a gente nunca viu a Déa junto com o Egberto aqui em Sampa?

O jornalista Lívio Oliveira ficou de quatro com o que ouviu e viu. O disco da Déa é um primor, já dissemos isso aqui. Mas a muíe ao vivo é coisa pra ser estudada.

Leia a oração do jornalista no jornal Diário de Natal

Déa e Egberto e a profunda arte

Lívio Oliveira
Escritor
livioliveira@yahoo.com.br

De antemão, solicito ao leitor que me perdoe pela grande quantidade de adjetivos que vêm por aí, texto afora. Mas, na verdade, na verdade, não poderia ser diferente! O fato é que compareci, terça-feira à noite, a um dos eventos de maior valor cultural e estético que já vi por estas bandas de cá da província ensolarada.

No Teatro Alberto Maranhão, num mesmo show (dividido em duas partes), Déa Trancoso e Egberto Gismonti, dois músicos especialíssimos (ela, dona de uma voz também especial), mostraram a que vieram, brindando a todos os presentes com música de altíssimo nível e tratada de forma meticulosa na operacionalidade de um palco que se situava como que numa espécie de céu de melodias, harmonias e outros elementos musicais. Não foi a toa que o show teve o título “Vozes de Mestres”, fazendo parte do projeto CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) Itinerante, uma excelente iniciativa que vem tendo cada vez mais repercussão no mundo cultural brasileiro.

O pessoal de Déa (seus “meninos e meninas”, conforme diz a própria) está junto há 10 anos, interpretando um cancioneiro com sabor e cheiro de terra, de sertão de Minas, do Jequitinhonha (terra de Déa), com magia e com expressividade pulsantes nas vozes, violões, percussão – decorrentes, em muito – da fé e da espiritualidade afro que Déa abraçou e que lhe serviram de inspiração.

E Egberto…não sei nem se vale a pena falar…é, simplesmente, um dos maiores músicos do mundo, um virtuose. Visceral e profundo, envolve-se e se mistura com a própria música, num amálgama absolutamente orgânico. Egberto, com seu violão de muitas cordas, seu piano de muitos sonhos e suas rápidas mãos de “dezenas de dedos”, hipnotiza e produz efeitos devastadores nas sensibilidades mais petrificadas. Em suma, nada mais e nada menos que um monstro sagrado perpetuando a arte da interpretação musical. E ele estava ali, bem pertinho, há poucos passos de nós, os mortais.

Fiquei especialmente entusiasmado com as interpretações que Egberto fezde clássicos de Villa-Lobos, como “O Trenzinho do Caipira” e “Bachiana nº 5″, que estão no CD “Trem Caipira”, em que recria temas de forma inspirada, homenageando o maestro no já longínquo 1978. Ambos, Egberto e Déa, fizeram apresentações caprichadas de algumas pérolas de sua produção musical de carreira. Déa, com seu trabalho inicial “TUM TUM TUM”, que recebeu quatro indicações para o prêmio TIM de música brasileira em 2007 e que retrata a realidade, folclore, crenças e misticismo do Vale do Jequitinhonha, reunindo diversas canções de domínio público colhidas durante as andanças ao longo do rio e de um forte trabalho de pesquisa que desenvolveu; e Egberto Gismonti, com sua vastíssima obra instrumental sendo traduzida em algumas belíssimas músicas no palco, além de seu senso de humor destacado e equilibrado que agradou a todos os presentes.

Foi isso (de forma muito sucinta) o que vi e ouvi lá no querido Teatro Alberto Maranhão. E, acredito que todos os que lá estiveram, devem ter experimentado, intimamente,a mesma sensação de rara felicidade e de refrigério, face a face com a arte profunda.

100ª Apresentação da São Paulo Cia de Dança

Para encerrar uma grande temporada de espetáculos de 2009, a São Paulo Companhia de Dança apresentou hoje ( e entre os dias 10 e 13 de dezembro), no Teatro Sérgio Cardoso, a coreografia Polígono, de Alessio Silvestrin. Eu já tinha visto essa coreografia com eles mas a grande novidade foi a música ao vivo interpretada pelo grupo belga Het Collectief.

100 apresentações em menos de dois anos são números de respeito. Méritos para a Secretaria de Cultura do Governo Serra que cria uma outra Cia com excelência artística além da OSESP. A cidade de São Paulo merece ter uma Orquestra Sinfônica e uma Cia de Dança com tal refinamento e profissionalismo.

Os números da Cia de Dança assustam. Em menos de dois anos, extamente hoje, completaram-se cem apresentações. Só em 2008, foram montadas quatro coreografias, duas inéditas – Polígono, de Alessio Silvestrin, e Entreato, de Paulo Caldas – e dois clássicos do século XX, Les Noces, de Bronislava Nijinska, e Serenade, de George Balanchine. A primeira temporada de 2009 incorporou duas novas coreografias ao repertório Gnawa, de Nacho Duato, e Ballo, de Ricardo Scheir, com música original de André Mehmari e encenação de Marcio Aurelio.Ainda tem o Figuras da Dança, uma série de programas e Dvds que homenageia a carreira de artistas como Marilena Ansaldi e Ruth Rachou, entre dez delas. Além disso tudo, tem outros projetos paralelos desenvolvidos pela Cia dirigida pela Iracity Cardoso e pela Inês Bogéa.

Se a OSESP tem a Sala São Paulo, a Cia de Dança terá o prédio da antiga rodoviária de São Paulo, localizada na praça Júlio Prestes, no bairro da Luz. O novo teatro, será desenvolvido pelos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, os mesmos da Arena de Munique e do Ninho do Pássaro, em Pequin. Ou seja, investimento pesado.

Me espanta que a Cia já consiga esboçar um grande público que acompanha os espetáculos apesar da pouca idade. Eu não imaginava que havia tanto interesse por dança aqui nessa cidade. É nessa hora que viver em Sp faz compensar toda a histeria da lida e do cotidiano cinza.

Muda, a Umu era Ume?

No Diário de Mococa, um texto do Oliveiros pede a retificação da história da UMU. Eu já disse aqui, dia 9 de novembro, depois de receber uma mensagem do mesmo autor, muito parecida com o que foi publicado no DM,  que sou interessado no assunto e que tentaria averiguar os detalhes do que o texto abaixo “corrige”.

Se a história do Oliveiros for confirmada, a UMU/SUM ganha um personagem que nenhum dos ex-presidentes que eu entrevistei para a realização do meu trabalho mencionaou. A importância do “Baratinha” como idealizador da entidade estudantil em Mococa, que mais tarde tornou-se a União Mocoquense dos Universitários.

Nunca duvidei da veracidade do que diz o Oliveiros mas não consegui comprovar minimamente a data dos fatos nem tive a oportunidade de falar com o “Baratinha”.

Vale destacar que tentei contato com o atual prefeito Antônio Naufel (1º presidente) para checar a mensagem do Oliveiros, por meio do seu filho André Naufel, e estou no aguardo de resposta. Também tentei contato por email com os outros dois presidentes posteriores da UMU, Giordaninho Dal Rio e Zé André Angotti.

Consegui falar com a Clisaura Bernardes, figura simpatissíssima e apontada pelos primeiros presidentes da UMU, como uma das estudantes mais importantes na fundação da entidade em 1968.

A Clis, amável como já tinha sido quando nos encontramos por causa da minha pós graduação, me ligou certa tarde para me esclarecer que nem ela, nem o seu irmão, Célio Bernardes, lembravam-se do fato narrado pelo Oliveiros. De qualquer forma, a Clis lembrou que o “Baratinha” morou em Uberaba com o Célio, com o Luís Alípio… E que o Baratinha havia tentado, anos antes da fundação da UMU, eleger-se como presidente do Grêmio Estudantil da Faculdade em Uberaba. E que perdeu a eleição…

Isso poderia ser um indício de que a idéia da entidade de Estudantes tenha sido um fato verídico. Mas nem a Clis, nem o irmão lembravam-se do Baratinha na reunião inicial de abril de 1968 no Anfiteatro do Oscar Villares conforme relatado no meu trabalho. Nem lembravam do churrasco comemorativo.

Convite-fundacao-UMU-68
13 de abril de 1968 – A primeira reunião

Recebi um email de um leitor do blogue, um empresário mocoquense, que me enviou alguns números de telefones como supostos contatos do Baratinha e os telefones não são do suposto idealizador.

Com certeza chegaremos até ”idealizador esquecido” depois dessas lembranças revividas pelo Oliveiros. Reitero que qualquer trabalho de memória deve ser fundamentado no mínimo colhimento de prova documental pois o tempo coa o que a nossa cuca não deseja relembrar. E às vezes, nos trai demasiadamente pelo desgaste natural da caixola.

Tenho impressão de que o “Baratinha” tenha sido de fato um dos primeiros a idealizar uma semana e uma entidade nos moldes da SUM e da UMU (UME), mas teimo desconfiar de que o fato da piCHação (não é com “X”) não tenha se dado no ano da fundação da UMU que foi em 1968. Vamos retomar os arquivos do Jornal A Mococa, ora pois!

Caso contrário, está provado que a memória das pessoas realmente falham, pois os fundadores oficiais da entidade com quem falei, nenhum referiu-se ao “Baratinha”.

1968 realmente será o ano que não terminará nunca.

Veja o texto que foi publicado no site Diário de Mococa

SUM – A história da UMU contada por quem a fez, texto de Soriévilo

 

10/12/2009, Quinta – A cidade, Mococa, o local, a Praça da Matriz.  Era uma daquelas tardes pasmacentas, marasmo total, e lá estávamos nós, jovens estudantes, sentados no banco semicircular,  contornando dois lados do que se conhecia como fonte luminosa, na verdade um tanque redondo, cimentado, com cerca de um metro de profundidade, cuja água imunda era enfeitada pelas flores que o vento soprava das primaveras. As primaveras se entrelaçavam nas colunas de sustentação de duas pérgulas, também semicirculares, e nelas se espraiavam, sombreando os bancos que ocupávamos.

 

Conversa mole, piadas, gozações de um para com o outro, alguma gracinha dirigida às garotas que passavam e nada mais! 

 

Pequenina cidade do interior, provinciana, já não mais correspondia aos anseios da maioria que ali estava naquele momento, de férias, e que já havia saído para cursar faculdades em cidades próximas como Ribeirão Preto, Campinas, Botucatu, Piracicaba ou em Sampa. 

 

- Pô… Mococa tá uma merda, heim?!! A gente não tem o que fazer além da piscina da AEM e do cineminha da noite… São José (do Rio Pardo) tem a Semana Euclidiana todo ano, Guaxupé tem a Festa e o Baile das Orquídeas… Nós aqui não temos nada para divertir nas férias!! O que vocês acham da gente dar uma agitada nisso… Bolar alguma coisa para o mês de julho… Uma semana qualquer, com música, jogos, gincanas, palestras… Sei lá o que mais?!!              

 

Foi mais ou menos isso que disse naquele dia o “Baratinha” (ele odiava ser chamado por esse apelido!) – José Roberto Marques Dias (ou seria Luís Roberto…já nem me lembro mais), filho do Clóvis Marques Dias e que fez com que Mococa ganhasse a cada mês de julho, há quarenta e um anos a sua semana de lazer.               

 

A UME UMEDECEU – esta foi a manchete do jornal semanal A Mococa para noticiar, criticar e reprovar o método utilizado para o lançamento da idéia na cidade. 

 

A princípio foi bolada a sigla UME – União Mocoquense dos Estudantes, que posteriormente poderia filiar-se à UNE – União Nacional dos Estudantes. 

 

Como então lançar a idéia de modo eficaz, sem dinheiro para financiar as despesas? Foi sugerida uma pichação, ao estilo dos políticos porcalhões. Sugestão aceita, saímos na madrugada em busca de casas em reforma ou quaisquer outros tipos de obras onde pudéssemos “tomar emprestado” alguns baldes de cal e brochas para a pichação. 

 

A “doadora” foi a Prefeitura Municipal que concluía a Biblioteca Municipal Barão de Monte Santo, em cuja obra utilizavam uma cal tão branquinha, de tão boa qualidade, que acabou por nos entregar às maledicências do jornal!! Rsrs.

 

Veja a manchete do jornal da cidade, na época:               

 

A UME VEM AÍ    A UME VEM AÍ     A UME VEM AÍ.             

 

A cidade amanheceu com seus muros principais pichados desta forma.

 

Hoje, já com o delito prescrito, assumo a autoria do mesmo.

 

A SUM – Semana Universitária Mocoquense foi assim criada como um evento patrocinado pela UME, que teve seu nome mudado para UMU – União Mocoquense dos Universitários.                

 

A reunião de fundação deu-se no anfiteatro do Instituto de Educação Oscar Villares, gentilmente cedido por seu diretor. Tenho certeza de ter assinado a ata, porém apesar de colaborar nesta e nas edições seguintes não voltei a lê-la, tendo sido sempre um elemento de retaguarda. Nunca pleiteei cargos, sempre fui avesso ao estrelismo.                

 

Esta crônica tem a finalidade de resgatar a memória da SUM e fazer justiça ao seu esquecido e jamais homenageado idealizador…O NOSSO AMIGO BARATINHA.                                                        

 

                                                         Soriévilo

 

 

 

  E.T. : Quem duvidar desse relato, que indague dos fundadores que

 

           assinaram a primeira ata, qual foi o primeiro evento realizado

 

           pela, então, UME.

 

           Dentre eles posso citar Giordaninho Dal Rio e sua irmã Edite,

 

           Célio Bernardes e suas irmãs Clélia e Cleonice, Oscar Suzano,

 

           Luis Sérgio Masili Carrer, Carlos Emílio Faraco, João Mongeli

 

           Neto, os Naufel (Toni e Luis Alípio), os Rocha (Néia, Maneco,

 

           Marcelo, Eduardo), os Guerra (Antônio Celso, Chico), Marília

 

           Pereira Lima, Paulo Pucciareli, os Manini (Nando, Kim e Lúcia),

 

           os Rehder (Jayminho, Toniquinho, Ana luiza), os Contrera

 

           (Bizorréia, Beto e Vanda), Jefinho de Freitas, Mário

 

           Ghelere Filho, Ricardo Mollo, Paulinho de Souza, Nando

 

           Conceição, e tantos outros dos quais perdi contato e a

 

           lembrança me oculta.

 

           Caso não se lembrem do evento, eu aponto qual foi :- Um

 

          churrasco às margens do rio Pardo, na fazenda Fortaleza, de

 

          propriedade do sr. Clóvis Marques Dias (pai do Baratinha),

 

          sendo que a maioria preferiu a carroceria de um caminhão

 

          como meio de transporte, por pura diversão. Se não me falha

 

          a memória, o caminhão era do pai do Dagoberto Mesquita

 

          (Daguinho), sr. João Mesquita. O Roney Mesquita deve lembrar-           se disso.

 

           Na ocasião, o Daguinho era namorado da Dirce Brisighello.

 

           O Chico Dal Rio namorava com a Maria Helena Soares (irmã do

 

           Bety) e todos participaram do evento.

 

           Isso é a Memória da SUM, que espero ver resgatada com

 

           correção, e respeitada.

Mário Bertolotto

Uma notícia que traz otimismo a todos sobre o estado de saúde de Mário Bertolotto foi dada pela jornalista Beth Néspoli, no jornal O Estado de S.Paulo.

Pra gente torcer com gosto pela recuperação do Bertolotto, a circus aproveitou e colocou o link do blogue dele ali, no cantinho dos blogues. Vamos desejar merda pra ele!

O Futebol, o Corinthians!

Hoje termina o campeonato brasileiro e com ele esvai-se uma chance de ouro que o meu Timão teve em 2009 para fazer um ano completo, só de vitórias . Tinha um time entrosadíssimo, jogando bonito que se desfez e depois de quase cinco meses nada indica que os substitutos de André Santos, Christian e Douglas consigam dar o padrão de futebol que o timão apresentou no primeiro semestre. Pobre Ronaldo!

Pena

O campeonato, apesar do enorme equilíbrio, não apresentou um time que mantivesse um encantamento regular de um time. Nenhuma equipe se manteve num futebol agradável por mais de sete ou oito rodadas consecutivas.

Qualquer um dos quatro times que estão por pouco de tornarem-se campeão hoje, não fogem da regra acima. Nem Flamengo, Nem Inter, Nem Sp, nem Parmera.

Mesmo lá embaixo, só o Fluminense tá encantando nessa reta final!

Talvez esteja jogando bonito e vencendo um pouquinho acima da série de oito jogos. É uma maravilha ver o Conca jogar bola. O MaAradona tá esperando o quê para entregar a camisa 10 da Argentina pra ele?

O Fluminense é o único time em não sei quantos anos de campeonato brasileiro que pode entrar para a história por um feito inédito: O Fluminense foi rebaixado e conseguiu subir no mesmo ano, no mesmo semestre, mais: No mesmo campeonato!

Depois de se ver com 97% de chances de cair, a equipe do doce depressivo Cuca, reagiu e está à beira de um feito histórico. Tomara que não caia.

A nós corintianos, ressabiados com esse oba-oba que será o ano do centenário, só  resta recordar que hoje faz 33 anos que a torcida do Corinthians moveu-se em massa de Sp para o MAracanã, fazendo uma das festas mais bonitas que uma torcida já fez.

Num Corinthians e Fluminense. Justo o Fluminense que teve uma torcida digníssima também esse ano -  bonito o apoio dado ao time depois da derrota-goleada para a LDU – recebe o Corinthians numa semifinal de campeoanato Brasileiro em 1976.

O Flu era muito melhor. Tinha o nosso Rivelino. E dizem, mais de 70 mil corintianos invadiram o Rio de Janeiro. E deram um show no Maraca.

Só me resta recordar

A Invasão Corintiana no Maracanã pode ser encontrada no You Tube. Na voz de Osmar Santos. Como narrava corintianíssimamente aquele OSsmar Santos. Zero a Um pro Flu. Quando o Vaguinho vai bater o escanteio ele diz: “Capricha aí garoto que o placar não é seu”. E o narrador continua…”Levantou para a boca da botija, subiu Geraldo de cabeça pra boca do gol… Ih Qui Gollllllllllllllllll!!!”….. Não deu tempo dele narrar a bicicleta destrambelhada do Russo.

Osmar Santos saiu urrando: “Festa da Povo, Alegria do povo”… Como a gente sofre e como é bom sofrer. Foi somente um empate. Que levou a partida para as penalidades. E nunca tinha reparado a categoria que o Super Zé bateu a última cobrança. Zé Maria, que maravilha de cobrança!

E nem quero pensar que a gente perdeu a final. Mas como é doido esse troço de ser corintiano sofredor. Caralho.

Tô meio na contramão dessa empolgação que a torcida tem feito para 2010 porque acho que o Corinthians e o Mano não poderiam ter feito o que fizeram. Darem-se ao luxo de jogar um campeonato fora como foi jogado.

Displicência, má vontade, aparentes pseudos contusões. É muito feio. Um time quase super campeão esse ano que está aquém daquele vice campeão mais honrado do mundo de 1976.

Beba da chama”  para se embebedar em 2010, timão.

E que pelo menos, hoje, o Andrade que vestiu a camisa do melhor Fla de todos os tempos torne-se o primeiro técnico legal, simpático, honesto, calmo, interino e PRETO a ser campeão brasileiro.

PS. No Blogue do Citadini tem o texto que o Nelson Rodrigues (Fluminense) escreveu sobre a Invasão Corintiana.

Minas sem Alécio Cunha

Não confundir com Aécio. Soube somente hoje que morreu o jornalista cultural (esportivo também…) Alécio Cunha, do maldito AVC. Alécio escrevia no jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte.

Nos dez dias que permaneci em BH por causa dos espetáculos de O Homem Provisório, em 2007, tive o prazer de ler algumas matérias, poesias e depois vi esporadicamente o blog desse belo jornalista.Esse ano eu dei umas fuçadas no blogue dele do Jornal Hoje Em Dia.

Soube da morte precoce dele aos 40 anos, meio sem querer, numa twitaria por aí. Aqui em SP a gente só olha para o próprio umbigo. O que vem de cima chega aqui meio exótico, fora do eixo. A gente se acha.

Que pena. Não sei porque me bateu essa tristeza desse cara morrer. Eu nunca o vi e me sentia amigão dele. Ele tem cara de amigão.

Gênese

 

Maio, 1980.

O primeiro poema

Feito para ela

(jamais mostrado)

Que se casou

E teve filhos.

Uma crítica de Tatit, Wisnik e Nestrovski

Paulo Gianini, do blogue Design da Música fez uma crítica bacanuda do espetáculo Tatit, Wisnik e Nestrovski

Esses três aí da foto  foram responsáveis por uma série de iluminações artísticas que passaram pela minha espinha dorsal na última noite de sexta-feira, 27-11, no Sesc Pinheiros. Ou seja, sobraram arrepios.

No cenário impecável: cadeiras, instrumentos, monitores e os músicos. Oito músicos dispostos de modo tão eficaz e simples, que não havia ponto no teatro que colocasse um músico na frente do outro. O mapa era perfeito.

Depois, um time de músicos de fazer repensar toda a minha carreira. Arranjos e execução à perfeição. Perfeição. Três violões de seis cordas (Nestrovsky, Jonas Tatit e Luiz Tatit), bateria (Sérgio Reze), baixo acústico, elétrico violão de sete cordas e voz (Márcio Arantes), piano, Fender Rhodes, acordeon e voz (Marcelo Jeneci), sem falar nos mestres Wisnik, Tatit e Nestrovsky, cantando muito, e na participação de Celso Sim, um cantor de nível tão alto que nem escada de bombeiro pra alcançar.

As composições dos nobres são de rir e de chorar; eles foram das gargalhadas às lágrimas umas três vezes. Emocionante, no amplíssimo sentido do termo.

A surpresa dessa publicação, entretanto, não está nos esperados elogios que sempre fazemos ao palco, quando gostamos do que vemos.

Dois elementos do anonimato se destacaram grandiosamente nesse show: Renato Coppoli (p.a.) e Fábio Retti (iluminação).

Eu fui num show com oito músicos tocando e mais me parecia o melhor disco, gravado, mixado e masterizado nos melhores estúdios e pelos melhores profissionais, como se tivesse o fone de ouvido mais caro do mundo… Esse foi o nível do p.a. do Renato Coppoli.

A luzes de uma delicadeza tão cabível que me fez chorar… Até uma estrela o Fábio pintou com luzes, na frente de todo o mundo, no meio do nada, no meio do palco.

Os dois não roubaram a cena, mas quase…

Impressão final: troquei o AC/DC pelo Tatit e não me arrependerei jamais. Não acho que alguém pagaria o preço da pista do AC/DC pra ver Wisnik, Tatit e Nestrovsky no Sesc. Eu pagaria; isso seria culturalmente saudável.

Na última sexta-feira, 27-11, o melhor show do mundo não custou R$ 200,00… Custou R$ 20,00.

por Paulo Gianini

Otto – o disco novo “Certa manhã…”

Esse circo tem feito alguns show do Otto. O último, foi no Crato-CE, numa noite realmente especial. A seguir, tem uma publicação que saiu no jornal O Globo com entrevista com o cantor e compositor que já prepara uma nova trilogia

Leia a matéria e ouça algumas músicas

(Fotos de Talita Miranda)

Tatit, Wisnik e Nestrovski por Alessandra Fratus

Seguem abaixo alguns momentos de um show lindão que a Circus produziu dia 27 de novembro no SESC Pinheiros, com Tatit, Wisnik e Nestrovski. Participação especial de Celso Sim e um timaço com Sérgio Reze, Marcio Arantes, Jonas Tatit, Marcelo Jeneci. As fotos são de Alessandra Fratus