No Diário de Mococa, um texto do Oliveiros pede a retificação da história da UMU. Eu já disse aqui, dia 9 de novembro, depois de receber uma mensagem do mesmo autor, muito parecida com o que foi publicado no DM, que sou interessado no assunto e que tentaria averiguar os detalhes do que o texto abaixo “corrige”.
Se a história do Oliveiros for confirmada, a UMU/SUM ganha um personagem que nenhum dos ex-presidentes que eu entrevistei para a realização do meu trabalho mencionaou. A importância do “Baratinha” como idealizador da entidade estudantil em Mococa, que mais tarde tornou-se a União Mocoquense dos Universitários.
Nunca duvidei da veracidade do que diz o Oliveiros mas não consegui comprovar minimamente a data dos fatos nem tive a oportunidade de falar com o “Baratinha”.
Vale destacar que tentei contato com o atual prefeito Antônio Naufel (1º presidente) para checar a mensagem do Oliveiros, por meio do seu filho André Naufel, e estou no aguardo de resposta. Também tentei contato por email com os outros dois presidentes posteriores da UMU, Giordaninho Dal Rio e Zé André Angotti.
Consegui falar com a Clisaura Bernardes, figura simpatissíssima e apontada pelos primeiros presidentes da UMU, como uma das estudantes mais importantes na fundação da entidade em 1968.
A Clis, amável como já tinha sido quando nos encontramos por causa da minha pós graduação, me ligou certa tarde para me esclarecer que nem ela, nem o seu irmão, Célio Bernardes, lembravam-se do fato narrado pelo Oliveiros. De qualquer forma, a Clis lembrou que o “Baratinha” morou em Uberaba com o Célio, com o Luís Alípio… E que o Baratinha havia tentado, anos antes da fundação da UMU, eleger-se como presidente do Grêmio Estudantil da Faculdade em Uberaba. E que perdeu a eleição…
Isso poderia ser um indício de que a idéia da entidade de Estudantes tenha sido um fato verídico. Mas nem a Clis, nem o irmão lembravam-se do Baratinha na reunião inicial de abril de 1968 no Anfiteatro do Oscar Villares conforme relatado no meu trabalho. Nem lembravam do churrasco comemorativo.

13 de abril de 1968 – A primeira reunião
Recebi um email de um leitor do blogue, um empresário mocoquense, que me enviou alguns números de telefones como supostos contatos do Baratinha e os telefones não são do suposto idealizador.
Com certeza chegaremos até ”idealizador esquecido” depois dessas lembranças revividas pelo Oliveiros. Reitero que qualquer trabalho de memória deve ser fundamentado no mínimo colhimento de prova documental pois o tempo coa o que a nossa cuca não deseja relembrar. E às vezes, nos trai demasiadamente pelo desgaste natural da caixola.
Tenho impressão de que o “Baratinha” tenha sido de fato um dos primeiros a idealizar uma semana e uma entidade nos moldes da SUM e da UMU (UME), mas teimo desconfiar de que o fato da piCHação (não é com “X”) não tenha se dado no ano da fundação da UMU que foi em 1968. Vamos retomar os arquivos do Jornal A Mococa, ora pois!
Caso contrário, está provado que a memória das pessoas realmente falham, pois os fundadores oficiais da entidade com quem falei, nenhum referiu-se ao “Baratinha”.
1968 realmente será o ano que não terminará nunca.
Veja o texto que foi publicado no site Diário de Mococa
SUM – A história da UMU contada por quem a fez, texto de Soriévilo
10/12/2009, Quinta – A cidade, Mococa, o local, a Praça da Matriz. Era uma daquelas tardes pasmacentas, marasmo total, e lá estávamos nós, jovens estudantes, sentados no banco semicircular, contornando dois lados do que se conhecia como fonte luminosa, na verdade um tanque redondo, cimentado, com cerca de um metro de profundidade, cuja água imunda era enfeitada pelas flores que o vento soprava das primaveras. As primaveras se entrelaçavam nas colunas de sustentação de duas pérgulas, também semicirculares, e nelas se espraiavam, sombreando os bancos que ocupávamos.
Conversa mole, piadas, gozações de um para com o outro, alguma gracinha dirigida às garotas que passavam e nada mais!
Pequenina cidade do interior, provinciana, já não mais correspondia aos anseios da maioria que ali estava naquele momento, de férias, e que já havia saído para cursar faculdades em cidades próximas como Ribeirão Preto, Campinas, Botucatu, Piracicaba ou em Sampa.
- Pô… Mococa tá uma merda, heim?!! A gente não tem o que fazer além da piscina da AEM e do cineminha da noite… São José (do Rio Pardo) tem a Semana Euclidiana todo ano, Guaxupé tem a Festa e o Baile das Orquídeas… Nós aqui não temos nada para divertir nas férias!! O que vocês acham da gente dar uma agitada nisso… Bolar alguma coisa para o mês de julho… Uma semana qualquer, com música, jogos, gincanas, palestras… Sei lá o que mais?!!
Foi mais ou menos isso que disse naquele dia o “Baratinha” (ele odiava ser chamado por esse apelido!) – José Roberto Marques Dias (ou seria Luís Roberto…já nem me lembro mais), filho do Clóvis Marques Dias e que fez com que Mococa ganhasse a cada mês de julho, há quarenta e um anos a sua semana de lazer.
A UME UMEDECEU – esta foi a manchete do jornal semanal A Mococa para noticiar, criticar e reprovar o método utilizado para o lançamento da idéia na cidade.
A princípio foi bolada a sigla UME – União Mocoquense dos Estudantes, que posteriormente poderia filiar-se à UNE – União Nacional dos Estudantes.
Como então lançar a idéia de modo eficaz, sem dinheiro para financiar as despesas? Foi sugerida uma pichação, ao estilo dos políticos porcalhões. Sugestão aceita, saímos na madrugada em busca de casas em reforma ou quaisquer outros tipos de obras onde pudéssemos “tomar emprestado” alguns baldes de cal e brochas para a pichação.
A “doadora” foi a Prefeitura Municipal que concluía a Biblioteca Municipal Barão de Monte Santo, em cuja obra utilizavam uma cal tão branquinha, de tão boa qualidade, que acabou por nos entregar às maledicências do jornal!! Rsrs.
Veja a manchete do jornal da cidade, na época:
A UME VEM AÍ A UME VEM AÍ A UME VEM AÍ.
A cidade amanheceu com seus muros principais pichados desta forma.
Hoje, já com o delito prescrito, assumo a autoria do mesmo.
A SUM – Semana Universitária Mocoquense foi assim criada como um evento patrocinado pela UME, que teve seu nome mudado para UMU – União Mocoquense dos Universitários.
A reunião de fundação deu-se no anfiteatro do Instituto de Educação Oscar Villares, gentilmente cedido por seu diretor. Tenho certeza de ter assinado a ata, porém apesar de colaborar nesta e nas edições seguintes não voltei a lê-la, tendo sido sempre um elemento de retaguarda. Nunca pleiteei cargos, sempre fui avesso ao estrelismo.
Esta crônica tem a finalidade de resgatar a memória da SUM e fazer justiça ao seu esquecido e jamais homenageado idealizador…O NOSSO AMIGO BARATINHA.
Soriévilo
E.T. : Quem duvidar desse relato, que indague dos fundadores que
assinaram a primeira ata, qual foi o primeiro evento realizado
pela, então, UME.
Dentre eles posso citar Giordaninho Dal Rio e sua irmã Edite,
Célio Bernardes e suas irmãs Clélia e Cleonice, Oscar Suzano,
Luis Sérgio Masili Carrer, Carlos Emílio Faraco, João Mongeli
Neto, os Naufel (Toni e Luis Alípio), os Rocha (Néia, Maneco,
Marcelo, Eduardo), os Guerra (Antônio Celso, Chico), Marília
Pereira Lima, Paulo Pucciareli, os Manini (Nando, Kim e Lúcia),
os Rehder (Jayminho, Toniquinho, Ana luiza), os Contrera
(Bizorréia, Beto e Vanda), Jefinho de Freitas, Mário
Ghelere Filho, Ricardo Mollo, Paulinho de Souza, Nando
Conceição, e tantos outros dos quais perdi contato e a
lembrança me oculta.
Caso não se lembrem do evento, eu aponto qual foi :- Um
churrasco às margens do rio Pardo, na fazenda Fortaleza, de
propriedade do sr. Clóvis Marques Dias (pai do Baratinha),
sendo que a maioria preferiu a carroceria de um caminhão
como meio de transporte, por pura diversão. Se não me falha
a memória, o caminhão era do pai do Dagoberto Mesquita
(Daguinho), sr. João Mesquita. O Roney Mesquita deve lembrar- se disso.
Na ocasião, o Daguinho era namorado da Dirce Brisighello.
O Chico Dal Rio namorava com a Maria Helena Soares (irmã do
Bety) e todos participaram do evento.
Isso é a Memória da SUM, que espero ver resgatada com
correção, e respeitada.